Ciro Nogueira pagou R$ 136 mil a empresa de integrantes do ‘Gabinete do Ódio’
Empresa foi fundada por ex-assessores de Jair Bolsonaro investigados por atuação em redes sociais
RedaçãoO senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, contratou uma agência de comunicação criada por ex-integrantes do chamado “Gabinete do Ódio”, grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada pelo ICL Notícias.
Segundo a reportagem, a Agência Mellon recebeu ao menos R$ 136,7 mil do diretório nacional do PP entre os anos de 2023 e 2024. Conforme os dados citados pelo portal, a maior parte dos recursos utilizados pelo partido no período teve origem em verbas públicas, como o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral.
A empresa foi fundada em maio de 2023 por José Matheus Sales Gomes, conhecido como Zuero, Mateus Matos Diniz, chamado de Mateuzinho, e Leonardo Augusto Matedi Amorim. Os dois primeiros já foram alvo de investigações relacionadas ao núcleo de desinformação digital ligado ao grupo político bolsonarista.
De acordo com documentos de prestação de contas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o contrato entre o PP e a agência foi firmado em outubro de 2023 e seguiu vigente ao menos até dezembro de 2024. Entre os serviços prestados estavam monitoramento de notícias políticas e análise de sentimentos em redes sociais.
Ainda segundo o ICL Notícias, a Agência Mellon também recebeu recursos de outros políticos ligados ao bolsonarismo. Entre eles estão o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), além dos parlamentares Marco Feliciano (PL-SP), Robinson Faria (PP-RN) e Dr. Allan Garcês.
A reportagem destaca ainda que o contrato com o PP foi mantido mesmo após operações da Polícia Federal relacionadas à chamada “Abin paralela”, investigação que teve José Matheus Sales Gomes como alvo de mandado de busca e apreensão em julho de 2024.
O ICL Notícias informou que procurou Ciro Nogueira e a Agência Mellon para comentar o caso, mas não houve resposta até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.