Capacitação em Floriano alerta profissionais para diagnóstico da amiloidose
Especialistas destacam sintomas da doença rara e importância da identificação precoce
RedaçãoProfissionais da saúde participaram, neste sábado (30/05), de uma capacitação sobre amiloidose na sede da APAE de Floriano. O encontro teve como objetivo ampliar o conhecimento sobre a doença rara, reforçando o reconhecimento clínico e o diagnóstico precoce, considerados fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
A capacitação reuniu médicos, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde e foi conduzida pelo neurologista Tibério Borges, coordenador do Ambulatório de Doenças Raras do Hospital Universitário da UFPI, e pela médica residente em neurologia Natália Karpejany.
Ao destacar a importância do evento, Tibério Borges explicou que a amiloidose ainda é uma enfermidade pouco conhecida. “É uma doença rara mesmo”, afirmou o especialista, ressaltando que já existem diagnósticos confirmados no Piauí, inclusive em municípios do interior. Segundo ele, a iniciativa busca orientar os profissionais sobre como identificar precocemente os sinais da doença.
O neurologista detalhou que a principal característica da amiloidose hereditária é a polineuropatia, condição que afeta diversos nervos do organismo. Entre os sintomas mais frequentes estão dormência, formigamentos, sensação de agulhadas, perda de força muscular, além de manifestações como tontura, diarreia e perda de peso. “O paciente começa a ver que a força no caminhar não é a mesma”, explicou.
A médica Natália Karpejany destacou que a educação em saúde é essencial para ampliar os diagnósticos das doenças raras. “Esse é o princípio para a gente conseguir diagnosticar nossos pacientes”, afirmou. Segundo ela, muitos casos passam despercebidos justamente pela dificuldade de reconhecer os sinais clínicos.
Natália também chamou atenção para a ocorrência da doença na região de Floriano. “Muitas vezes passa despercebido no nosso olhar clínico”, observou, reforçando a necessidade de capacitar profissionais para que saibam quando suspeitar da enfermidade e encaminhar os pacientes para investigação adequada.
Durante o encontro, pacientes compartilharam experiências sobre a trajetória até o diagnóstico. Um dos relatos foi o de Miguel, que conviveu por anos com sintomas antes de descobrir a doença. “Nessa luta foi três anos”, contou. Ele relatou que sentia dormência nos pés e nas mãos e passou por diversos tratamentos até ser encaminhado para exames mais específicos.
A capacitação integra ações voltadas ao fortalecimento da assistência em doenças raras no interior do estado, ampliando o acesso à informação e contribuindo para diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais eficazes.