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Cuscuz: tradição nordestina ganha o mundo e conquista gerações com sabor

Prato de origem africana se tornou símbolo cultural e alimento diário no Nordeste
Redação

Presente na mesa de milhares de brasileiros, especialmente no Nordeste, o cuscuz é mais do que um alimento: é tradição, memória afetiva e praticidade no dia a dia. Seja no café da manhã ou no lanche da tarde, o “amarelinho” conquista pelo sabor e pela capacidade de sustentar, característica que o tornou símbolo da culinária regional. A importância do prato ultrapassa fronteiras. Em 2020, o cuscuz foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial pela UNESCO, destacando sua relevância histórica em diferentes partes do mundo. Apesar da forte identificação com o Brasil, suas origens remontam ao norte da África, onde era preparado com cereais como trigo, sorgo e arroz, a exemplo do tradicional cuscuz marroquino.

O prato teria surgido por volta do século XIII, entre povos berberes da região do Magreb, no continente africano. Com o passar do tempo, foi incorporado por outras culturas, atravessou continentes e chegou ao Brasil durante o período colonial, por meio das trocas atlânticas. Por aqui, ganhou novas formas e ingredientes, adaptando-se à realidade local, principalmente com o uso do milho, abundante no Nordeste.

Essa adaptação foi fundamental para consolidar o cuscuz como um alimento acessível, nutritivo e profundamente ligado à identidade cultural nordestina. Hoje, ele também se destaca do ponto de vista nutricional. Desde 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina a fortificação das farinhas de milho e trigo com ferro e ácido fólico, contribuindo para a prevenção de deficiências nutricionais, como a anemia. Ao longo dos anos, o cuscuz ganhou diferentes versões pelo país. Há o paulista, com ovos e temperos marcantes; o do Norte, com leite de coco e tapioca; e o campeiro, típico do Sul, com carnes e linguiça. Ainda assim, o cuscuz nordestino, feito com flocos de milho, segue como o mais popular.

O preparo é simples e faz parte do cotidiano de muitas famílias: hidratar o flocão, deixar descansar e levar ao vapor até atingir a textura leve e macia. O resultado é um prato versátil, que combina com manteiga, leite, ovos, queijo ou carne de charque e pode ser adaptado conforme o gosto de cada um.

Além de saboroso, o cuscuz também pode ser aliado de uma alimentação equilibrada. Rico em carboidratos, fornece energia e pode ser combinado com proteínas e vegetais para se tornar ainda mais nutritivo. Mais do que uma receita, ele representa a mistura de influências culturais que formam a identidade brasileira, e segue firme como protagonista na mesa e na história do país.