Grupo Arrey destaca nova lógica de investimentos no litoral do Piauí
Crescimento do turismo e novos modelos de segunda moradia atraem capital para Luís CorreiaO litoral do Piauí vem se consolidando como destino prioritário para investidores e compradores do Maranhão, em um movimento que vai além do turismo e reflete decisões cada vez mais racionais de mobilidade, investimento e alocação patrimonial. A combinação entre proximidade geográfica, melhoria da conectividade regional, menor saturação imobiliária e novos modelos de empreendimentos estruturados tem deslocado o eixo de interesse do público maranhense para o estado vizinho.
Dados da Secretaria de Turismo do Piauí (Setur) mostram que o estado recebeu mais de 1 milhão de turistas em 2024 e registrou um crescimento aproximado de 25% no fluxo turístico em 2025, impulsionado principalmente pela Rota das Emoções, corredor que conecta Maranhão, Piauí e Ceará. Na prática, esse crescimento tem ampliado o fluxo regional, especialmente de visitantes e investidores oriundos do Maranhão, e acelerado a maturação do mercado imobiliário no litoral piauiense.
Para o investidor maranhense, o deslocamento até o litoral do Piauí passou a ser não apenas mais previsível do ponto de vista logístico, mas também mais eficiente em termos de custo-benefício. Enquanto destinos tradicionais enfrentam maior adensamento, restrições urbanísticas e valorização já comprimida, o litoral do Piauí ainda opera em um estágio anterior de ciclo, oferecendo custo de entrada mais competitivo e maior potencial de valorização.
Esse movimento coincide com uma mudança estrutural no conceito de segunda moradia. O imóvel de veraneio, historicamente associado a uso esporádico e baixa eficiência econômica, vem sendo substituído por modelos híbridos, que combinam uso pessoal, geração de renda e gestão profissional integrada. Nesse contexto, investidores passaram a buscar ativos que entreguem previsibilidade operacional e retorno econômico, reduzindo fricções típicas da locação tradicional.
“O investidor mudou. Hoje ele quer usufruir do imóvel, mas não aceita mais um ativo parado nem a complexidade da operação”, afirma Manuel Arrey, fundador do Grupo Arrey, com mais de quatro décadas de atuação nos setores de hotelaria, construção civil e turismo.
É nesse cenário que surgem empreendimentos planejados desde a origem para operar sob lógica de governança e eficiência. Projetos inspirados em modelos internacionais de resorts residenciais, comuns na Flórida, Caribe e Mediterrâneo, ganham espaço em regiões ainda pouco exploradas, mas com demanda crescente. A diferença em relação à segunda moradia convencional está na qualidade da diária, na estabilidade da ocupação e na preservação do ativo ao longo do tempo.
Um exemplo dessa nova lógica é o Sophia Riviera, empreendimento turístico-imobiliário do Grupo Arrey, em Luís Correia (PI). O projeto foi concebido com mais de 14 mil m² de áreas comuns, organização em blocos para preservar privacidade e infraestrutura pensada especificamente para suportar locação de curta temporada, sem comprometer a experiência de moradores e investidores. O objetivo é atender a um perfil de comprador que busca previsibilidade de uso e renda, em um destino ainda em fase de consolidação.
O avanço desses projetos dialoga com um contexto macroeconômico mais amplo. Após um período de juros elevados e seleção mais rigorosa do capital, o investidor passou a buscar ativos reais com uso, previsibilidade e potencial de geração de caixa. Com a sinalização de um possível início do ciclo de cortes, a lógica de antecipação ganha força: entrar antes da reprecificação tende a ser uma estratégia recorrente em mercados em consolidação, sobretudo em destinos com turismo doméstico resiliente e apelo de natureza.
No litoral do Piauí, esse movimento se soma a condições naturais competitivas, como ventos constantes, costa preservada e águas mornas, e a uma oferta ainda limitada de empreendimentos estruturados, o que reforça o interesse de investidores regionais, especialmente do Maranhão.
“O que muda não é apenas o imóvel, mas a lógica de decisão. A segunda moradia deixa de ser um custo emocional e passa a ser um ativo funcional”, resume Arrey.
Para o Maranhão, o fenômeno sinaliza uma mudança no fluxo regional de capital. Para o Piauí, confirma que conectividade, planejamento e timing seguem sendo fatores decisivos na atração de investimentos. E para o investidor, reforça uma tese clara: entrar em mercados em consolidação, com modelos mais eficientes, tende a ser uma decisão cada vez menos emocional, e cada vez mais estratégica.