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Pesquisador da UFPI descobre nova espécie de anfíbio de 280 milhões de anos

Estudo com participação da UFPI revela anfíbio raro que pode ter sido herbívoro
Redação

Um pesquisador da Universidade Federal do Piauí (UFPI) participou da descoberta de uma nova espécie de anfíbio que viveu há cerca de 280 milhões de anos, durante o Período Permiano da Era Paleozóica. O estudo foi publicado no último dia 17 de março na revista científica Proceedings of the Royal Society B e revela características inéditas para esse grupo de animais.

Coordenada pelo paleontólogo Juan Carlos Cisneros, a pesquisa aponta que o fóssil apresenta traços incomuns, especialmente no formato da mandíbula e na disposição dos dentes. Segundo o pesquisador, há indícios de que a espécie poderia ter hábitos herbívoros, algo raro entre anfíbios, tradicionalmente carnívoros.

Batizado de Tanyka amnicola, o animal pertence ao grupo dos tetrápodes, vertebrados com quatro membros que incluem anfíbios, répteis e mamíferos. Apesar de ter vivido há milhões de anos, ele preserva características consideradas primitivas, o que levou os cientistas a classificá-lo como um tetrápode basal. As particularidades anatômicas renderam à espécie o apelido de “bizarra” entre os pesquisadores.

Os fósseis analisados ao todo nove mandíbulas foram encontrados nos municípios de Nazária, Timon e Pastos Bons. As áreas fazem parte de uma região reconhecida pelo potencial paleontológico, próxima à Floresta Fóssil do Rio Poty. A pesquisa foi desenvolvida ao longo de mais de dez anos, com fósseis coletados entre 2012 e 2023. O material passou por processos detalhados de análise, incluindo estudos realizados no Museu de História Natural de Chicago, além da colaboração de especialistas da Argentina.

O estudo reúne cientistas de instituições dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido, evidenciando o caráter internacional da descoberta. Mais de mil fósseis coletados na região do Piauí e Maranhão estão atualmente sob guarda da UFPI.

Para Cisneros, a descoberta reforça o potencial científico da região e consolida o papel da universidade na produção de conhecimento. Segundo ele, o território piauiense tem grande relevância para novas pesquisas e pode revelar ainda mais informações sobre a evolução dos primeiros vertebrados terrestres.

Fonte: Universidade Federal Piauí