'Saneamento Salva' lança debate sobre saneamento e reforça impactos na saúde
Especialistas, gestores e Drauzio Varella destacam que acesso à água e esgoto tratadoRepresentantes do setor de saneamento, autoridades e especialistas participaram do lançamento do movimento "Saneamento Salva", iniciativa que busca ampliar a conscientização da população sobre a importância do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário para a saúde, o desenvolvimento social e a qualidade de vida.
O evento reuniu nomes como o médico e embaixador do movimento, Carlos Portela, a diretora-presidente da Águas do Piauí, Lucilaine Medeiros, o presidente do Instituto Aegea, Edson Carlos, e o médico Drauzio Varella.
Durante o lançamento, Carlos Portela destacou que o saneamento vai muito além da instalação de tubulações e obras de infraestrutura.
"As pessoas costumam pensar que saneamento é apenas levar canos, tubos e estações de tratamento. Mas saneamento é saúde, desenvolvimento e qualidade de vida. Quando você leva água tratada e recolhe corretamente os resíduos, você está levando dignidade e criando oportunidades para que as pessoas possam crescer e se desenvolver", afirmou.
Segundo ele, o acesso aos serviços básicos influencia diretamente a energia, a produtividade e o bem-estar da população.
"Saúde não é apenas a ausência de doença. Saúde é disposição, é capacidade de estudar, trabalhar e construir um futuro melhor", completou.
A diretora-presidente da Águas do Piauí, Lucilaine Medeiros, ressaltou que o estado vive um momento de transformação com os investimentos voltados para a universalização do saneamento.
"O saneamento no Piauí representa uma grande transformação. Estamos falando de um projeto estruturante que vai levar esses serviços para todo o estado, inclusive para áreas rurais. Esse movimento busca trazer a sociedade para o centro dessa discussão e mostrar que saneamento é muito mais do que obras", disse.
Ela também chamou atenção para a necessidade de uma mudança cultural da população em relação ao uso dos sistemas disponíveis.
"Muitas vezes a rede de esgotamento está disponível, mas as pessoas continuam utilizando fossas ou outras alternativas que acabam contaminando rios e mananciais. Todos nós temos responsabilidade quando falamos em saneamento", destacou.
Para o presidente do Instituto Aegea, Edson Carlos, um dos maiores desafios ainda é fazer com que a população compreenda a relevância do tema.
"O saneamento é a infraestrutura mais importante para proteger a saúde das pessoas, mas ainda é um assunto pouco discutido. Precisamos comunicar melhor, de forma simples e acessível, para que a população entenda seus benefícios e cobre cada vez mais investimentos nessa área", afirmou.
Um dos momentos mais aguardados do evento foi a participação do médico Drauzio Varella, que relembrou como a falta de saneamento impactava a saúde pública brasileira décadas atrás.
"O saneamento foi um dos grandes responsáveis pelo aumento da expectativa de vida no Brasil. Eu me lembro de quando crianças chegavam aos hospitais em estado grave de desidratação e muitas não resistiam. As verminoses eram praticamente universais e a mortalidade infantil era muito elevada", relatou.
Segundo o médico, a ampliação do acesso à água tratada e às condições sanitárias adequadas mudou significativamente esse cenário.
"As vacinas e os antibióticos tiveram papel importante, mas as condições sanitárias foram determinantes para reduzir doenças e salvar vidas. Foi uma transformação que impactou diretamente a saúde da população brasileira", concluiu.
O movimento "Saneamento Salva" pretende promover ações educativas e ampliar o debate sobre a importância do saneamento básico, reforçando a ligação entre infraestrutura, saúde pública, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.