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Lula sobe o tom contra Trump e afirma que taxa sobre Ormuz é ato de 'pirataria'

Segundo o presidente, a guerra já provoca impactos na economia brasileira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (13) a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma taxa de 20% sobre embarcações que trafeguem pelo Estreito de Ormuz. Durante evento em São Caetano do Sul (SP), Lula classificou a medida como um ato de "pirataria" e responsabilizou o governo norte-americano pelo conflito envolvendo o Irã.

Segundo o presidente, a guerra já provoca impactos na economia brasileira, especialmente sobre os preços dos alimentos, em razão da alta internacional dos combustíveis.

"Isso antigamente se chamava pirataria. Um Estado importante como os Estados Unidos não pode virar pirata", afirmou Lula. Para ele, o estreito não estava bloqueado e a cobrança seria injustificável. "Foi ele [Trump] que inventou essa guerra", declarou.

Lula também afirmou que o governo precisou adotar medidas para conter o impacto da alta dos combustíveis, argumentando que o aumento dos custos de transporte influencia diretamente os preços de produtos como feijão, arroz, tomate e cebola.

Durante o discurso, o presidente contestou ainda as justificativas apresentadas para o conflito com o Irã. Ele disse não acreditar que o país esteja desenvolvendo armas nucleares e comparou a situação à invasão do Iraque, quando, segundo ele, os Estados Unidos alegaram a existência de armas de destruição em massa que posteriormente não foram encontradas.

As declarações ocorreram durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), onde Lula acompanhou testes sobre a ampliação da mistura de biodiesel ao diesel acima dos atuais 15% obrigatórios. Os estudos, coordenados pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), avaliam a viabilidade técnica de elevar esse percentual para até 25% e deverão subsidiar futuras decisões regulatórias.

Também participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e outras autoridades do governo.

De acordo com informações do Valor Econômico, o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na última semana que a equipe econômica é favorável ao aumento da mistura obrigatória de biodiesel ainda este ano, desde que os estudos técnicos confirmem a segurança da medida.