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Da mineração aos grãos: Porto Piauí impulsiona nova fase da economia no estado

Redução da distância até o porto gera economia logística, empregos e novos investimentos no Piauí
Redação

A operação do Porto Piauí, em Luís Correia, tem fortalecido a cadeia produtiva da mineração e ampliado as perspectivas de desenvolvimento econômico no estado. Com a nova rota de exportação, o minério de ferro extraído em Piripiri passou a percorrer uma distância menor até o porto, reduzindo custos logísticos, gerando empregos e abrindo espaço para novos investimentos em diferentes setores.

A exploração de minério de ferro em Piripiri começou em 2022, após a conclusão de todas as etapas de licenciamento ambiental. O material é retirado das jazidas, transportado em caminhões basculantes e encaminhado para a unidade de beneficiamento, onde passa por diferentes processos de britagem até atingir as especificações exigidas pelos compradores. Atualmente, a China é o principal destino do minério de ferro produzido no Piauí.

O crescimento da atividade também refletiu diretamente na geração de empregos. A mineradora ampliou significativamente o quadro de funcionários desde o início das operações e projeta a expansão da produção para novas áreas.

O sócio da mineradora, Thalyson Fernandes, destacou que a empresa vive um momento de crescimento acelerado e prevê novos investimentos no estado.

"Quando iniciamos as atividades, em 2022, trabalhávamos com cerca de 60 colaboradores. Hoje já são aproximadamente 300 funcionários. Esse crescimento tem sido muito grande e a perspectiva é ainda melhor. Contamos com uma equipe dedicada à pesquisa e pretendemos abrir novas jazidas em Piripiri e também em outros municípios do Norte do Piauí. A tendência é continuar crescendo", afirmou.

Atualmente, a empresa atua em quatro áreas de exploração, totalizando cerca de 200 hectares. Cada jazida pode ser explorada por um período entre cinco e dez anos, conforme o volume de minério disponível. Após o encerramento das atividades, a área passa por um processo de recuperação ambiental, conforme previsto na legislação.

O analista ambiental Victor Enzo explicou que o trabalho busca minimizar os impactos ambientais e manter diálogo permanente com as comunidades do entorno. "Nossa atuação considera os impactos sobre o terreno, a fauna e também a questão social. Mantemos ações como a umidificação das vias e um diálogo constante com as comunidades para identificar necessidades e evitar conflitos. O objetivo é conciliar a atividade da empresa com o bem-estar de todos", destacou.

Antes da exportação, todo o minério passa por um rigoroso controle de qualidade. Em laboratórios de física e química instalados pela mineradora, o material é submetido a diversos testes para verificar se atende aos padrões exigidos pelo mercado internacional. Somente após a certificação o minério é liberado para transporte até o Porto Piauí.

O engenheiro químico Edvar Costa explicou que o acompanhamento ocorre durante todas as etapas do beneficiamento. "Emitimos um laudo que certifica que o minério está dentro dos padrões de exportação. Recebemos as especificações da venda e acompanhamos todo o processo de beneficiamento para garantir que o produto final atenda exatamente aos parâmetros estabelecidos pelo comprador", afirmou.

A utilização do Porto Piauí também representou um importante ganho logístico para o setor mineral. Antes, o minério precisava ser transportado até o Porto do Pecém, no Ceará, percorrendo cerca de 430 quilômetros. Agora, a distância até Luís Correia é de aproximadamente 185 quilômetros, reduzindo o trajeto em cerca de 250 quilômetros e proporcionando economia de tempo e custos operacionais.

A movimentação de cargas no terminal portuário também ampliou a oferta de empregos diretos e indiretos, especialmente nas atividades de transporte. O motorista Jean Ribeiro comemorou as oportunidades geradas pelo novo empreendimento. "A gente fica feliz. É um projeto que representa futuro para todos nós", disse.

Além da movimentação de cargas, o fortalecimento das operações portuárias também impulsiona a formação de mão de obra qualificada. O CETI Escola do Mar oferece cursos técnicos voltados às atividades portuárias, pesqueiras e de transporte aquaviário, contando inclusive com um simulador de embarcações, considerado único em uma escola pública brasileira.

A diretora da Escola do Mar, Mariella Marquês, ressaltou a estrutura oferecida aos estudantes. "A escola conta com uma estrutura moderna, equipada com laboratórios que permitem aos alunos unir teoria e prática. Temos laboratórios de processamento e qualidade do pescado, ciências, informática e um simulador de embarcações, único em uma escola pública do Brasil, que contribui para a formação dos estudantes dos cursos de transporte aquaviário e das demais áreas ofertadas", afirmou.

Para especialistas, o Porto Piauí representa uma nova etapa no desenvolvimento econômico do estado, criando condições para fortalecer cadeias produtivas e ampliar as exportações de diferentes segmentos.

A professora de Economia da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), Maria Helena, avalia que a infraestrutura portuária permitirá agregar valor à produção piauiense e estimular novos investimentos.

"Durante muitos anos, produtos de maior valor agregado, como atum, camarão e lagosta, precisavam ser levados ao Ceará por falta de infraestrutura adequada. Com a implantação dessa estrutura portuária, abre-se a possibilidade de desenvolver um complexo industrial pesqueiro e, futuramente, avançar para novos terminais destinados ao transporte de combustíveis, minério e grãos, fortalecendo toda a economia do estado", afirmou.