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'Eles que mandaram', diz superintendente exonerado após retirada de cruz no Piauí

Valdecir afirma que não tomou a decisão de remover o símbolo religioso e cultural
Redação

Um áudio atribuído ao ex-superintendente de Turismo de Parnaíba, Valdecir Galvão, exonerado após a retirada de um cruzeiro histórico da praia da Pedra do Sal, revela uma versão diferente da apresentada oficialmente pela Prefeitura. Na gravação, que passou a circular nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, Valdecir afirma que não tomou a decisão de remover o símbolo religioso e cultural, atribuindo a responsabilidade a outros setores da administração municipal.

“Eles que mandam, não sou eu, nem ninguém”, diz em um dos trechos.

No áudio, o ex-superintendente aponta falhas no trâmite administrativo e relata que o procedimento correto teria sido a notificação formal do responsável pela instalação do cruzeiro, com prazo para retirada. Segundo ele, o fiscal encarregado dessa etapa estaria de férias, e a demanda acabou sendo repassada entre departamentos, sem comunicação adequada. Valdecir afirma ainda que a ação teria sido realizada para “preservar” o nome de quem colocou o símbolo, evitando que fosse citado em documentos oficiais.

Ao comentar sua exoneração, Valdecir Galvão diz estar sendo injustamente responsabilizado e afirma que tem sido alvo de ataques públicos. “Não posso ser crucificado por uma coisa que eu não fiz, que eu não tenho nada a ver com isso”, declara. Ele também afirma que, até o momento, evitou dar entrevistas por pedido do prefeito Francisco Emanuel Brito, alegando respeito institucional e para não ampliar ainda mais a crise.

A gravação reforça questionamentos já levantados após a exoneração, anunciada pela Prefeitura como resposta à retirada indevida do cruzeiro, símbolo religioso presente no local desde a década de 1970. Embora a gestão municipal tenha classificado a atitude como “reprovável” e atribuído a responsabilidade ao então superintendente, o áudio sugere desorganização interna, falta de definição de competências e ausência de comunicação entre os setores da administração.

O episódio, que gerou forte reação popular em Parnaíba, expõe uma crise que vai além da conduta individual de um servidor. A circulação do áudio amplia o debate sobre possíveis falhas institucionais na Prefeitura, indicando que a decisão pode ter sido diluída entre departamentos, enquanto a responsabilização recaiu de forma isolada sobre o ex-superintendente. Até o momento, a gestão municipal não se manifestou sobre o conteúdo da gravação vazada.

Confira Áudio:

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