135 vereadores do Progressistas abandonam a oposição e fecham com Rafael Fonteles
Levantamento revela que partido que deveria enfrentar o governador nas urnas já perdeu o chãoO Progressistas no Piauí enfrenta uma crise silenciosa, mas devastadora para qualquer estratégia de oposição ao governo estadual: 135 vereadores eleitos sob a legenda do partido em 2024 declaram apoio à reeleição do governador Rafael Fonteles (PT). São representantes espalhados por 58 municípios piauienses, com uma força eleitoral que soma 64.516 votos — votos conquistados com a sigla do PP nas urnas, mas que agora apontam para o campo adversário.
O dado é mais do que um número. É um sintoma.
O PARTIDO QUE GOVERNA A OPOSIÇÃO
Numa democracia saudável, os partidos constroem suas bases, elegem seus representantes e, na hora da disputa, têm esses mandatos como trincheiras eleitorais. No Piauí do ciclo eleitoral de 2026, essa lógica simplesmente não existe para o PP.
Enquanto a cúpula nacional do Progressistas mantém discurso de distância do campo petista, as bases municipais piauienses já fizeram sua escolha. De Parnaíba a Parnaguá, de Picos a Caxingó, os vereadores eleitos pela sigla progressista já estão — na prática — trabalhando para a reeleição do governador petista.
58 MUNICÍPIOS: UM MAPA QUE FALA POR SI
A abrangência geográfica do fenômeno reforça a tese de que não se trata de episódios isolados. Os 135 vereadores estão distribuídos por 58 dos 224 municípios piauienses — um terço do estado. Das grandes cidades às menores localidades, como Tanque do Piauí, Morro Cabeça no Tempo e Olho D’Água do Piauí, a lógica se repete: o vereador progressista apoia o governador petista.
Isso significa que, para o próximo pleito, Rafael Fonteles já conta com uma rede municipalista relevante dentro de um partido que, ao menos no papel, deveria ser seu adversário.
Para qualquer candidatura de oposição ao Palácio de Karnak, o dado é alarmante. No interior piauiense, vereador com voto significa rede de cabos eleitorais, influência comunitária e mobilização no dia da eleição. Ao aderir a Fonteles, esses 135 mandatos levam consigo toda essa estrutura.
O retrato é claro: o PP no Piauí tem sigla de oposição, mas base de situação.