Agenda de Vorcaro inclui Ciro, autor de emenda que beneficiaria o Banco Master
Celular do banqueiro investigado por fraude bilionária reunia contatos de políticos e ministrosO banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e apontado como responsável por uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, mantinha em seu telefone celular os contatos de autoridades de destaque do cenário político e do Judiciário, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações constam em dados obtidos a partir da quebra de sigilos autorizada no âmbito da CPMI do INSS.
Segundo reportagem do jornal O Globo, que teve acesso ao material, a agenda telefônica de Vorcaro reunia ao menos cinco senadores, cerca de 20 deputados federais, um governador e três ministros do STF. A presença dos nomes no aparelho, contudo, não comprova a existência de troca de mensagens ou ligações entre o banqueiro e os citados.
Entre os contatos está o senador Ciro Nogueira, autor da chamada “emenda Master”, apresentada durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central. A proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor máximo garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em aplicações financeiras.
Caso tivesse sido aprovada, a mudança permitiria ao Banco Master ampliar a captação de recursos junto a investidores atraídos por rendimentos elevados, estratégia que, segundo as investigações, estaria baseada em práticas fraudulentas.
A lista de contatos inclui ainda o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Também aparece o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que autorizou o Banco de Brasília (BRB) a comprar o Banco Master por R$ 12,2 bilhões. Ibaneis afirmou que “nada mais natural” do que Vorcaro ter seu número de telefone.
No Judiciário, o ministro Dias Toffoli, relator do caso do Banco Master no STF, figura entre os contatos do banqueiro. Toffoli realizou uma viagem ao Peru no mesmo voo de um advogado que atua na defesa de um diretor do banco investigado. Após retornar ao Brasil, o ministro decretou sigilo no inquérito e determinou que o caso fosse concentrado no Supremo, além de retirar da CPMI do INSS o acesso aos dados das quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Vorcaro, que ficaram sob a guarda da Presidência do Senado.
Além de Toffoli, constam na agenda os nomes dos ministros Kassio Nunes Marques e Alexandre de Moraes, ampliando o alcance da lista de autoridades que mantinham contato registrado no celular do banqueiro investigado.