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Ciro Nogueira sob cerco: denúncias de 'mesada' podem forçar recuo para a Câmara

Cresce a possibilidade de abrir mão da reeleição ao Senado para disputar para deputado federal
Redação

As investigações recentes sobre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) provocaram um terremoto político, levantando discussões sobre seu futuro eleitoral em 2026. Segundo análises da Central GloboNews, cresce a possibilidade de o parlamentar abrir mão da reeleição ao Senado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A estratégia seria pragmática: garantir o foro privilegiado por meio de uma eleição tecnicamente menos arriscada, dado o desgaste de sua imagem pública após as graves denúncias que o colocaram no centro do debate nacional.

O principal motivo para essa mudança de rota reside na disparidade de votos necessários entre os dois cargos no Piauí. Enquanto a disputa para o Senado exige uma vitória majoritária — onde, em 2022, o eleito Wellington Dias precisou de mais de 960 mil votos para vencer —, a eleição para Deputado Federal segue o sistema proporcional. Para se ter uma ideia, os deputados mais votados no estado costumam se eleger com cerca de 130 mil a 140 mil votos, mas, dependendo do quociente eleitoral do partido, uma cadeira pode ser conquistada com uma votação significativamente menor, tornando o caminho para Brasília muito mais seguro para um nome com o capital político de Ciro.

A pressão sobre o senador aumentou drasticamente após a divulgação de detalhes da Operação Compliance Zero. O ministro do STF, André Mendonça, autorizou buscas baseadas em indícios de que Ciro Nogueira recebia uma "mesada" de R$ 300 mil, além de viagens de luxo e outros benefícios custeados pelo empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. A acusação é de que o senador teria atuado diretamente no Congresso para favorecer interesses financeiros do grupo — inclusive apresentando emendas redigidas pela própria assessoria do banco — em troca dessas vantagens indevidas, o que gerou manchetes negativas em todos os grandes portais de notícias do país.

Internamente, o clima no Progressistas (PP) é de tensão. Embora Ciro seja o presidente nacional da legenda, uma ala influente do partido já defende abertamente o seu afastamento provisório da presidência. O argumento desse grupo é preservar a sigla de uma exposição negativa prolongada, permitindo que o senador se concentre em sua defesa jurídica enquanto as investigações avançam. Caso a pressão interna continue a escalar, Ciro Nogueira poderá se ver isolado no comando da máquina partidária, o que reforçaria ainda mais a tese de uma candidatura à Câmara como sua última "trincheira" política.