'Ciro vai ajudar a gente': entenda a fraude de pessoas ligadas a senador do Piauí
Ciro Nogueira manteve um grupo de WhatsApp com investigados na máfia dos combustíveisA Revista Piauí detalhou o esquema investigado pela Operação Carbono Oculto 86, que apura fraudes bilionárias no setor de combustíveis envolvendo as redes de postos HD e Diamante, no Piauí. As investigações apontam que o grupo criminoso integrava o braço financeiro e operacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) em âmbito nacional, embora essa hipótese ainda não tenha sido confirmada pelo Ministério Público.
Segundo a publicação, o inquérito foi instaurado após a venda da rede de postos HD, com unidades no Piauí, Maranhão e Tocantins, para Roberto Leme, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, donos da distribuidora Copape. As investigações identificaram inconsistências patrimoniais, alterações societárias simultâneas e criação de empresas sem lastro econômico compatível com o volume de negócios movimentado.
O total de movimentações financeiras atípicas chega a R$ 5 bilhões, sendo mais de R$ 300 milhões monitorados apenas no Piauí. Foram mapeados pelo menos 70 CNPJs e mais de 500 notas fiscais emitidas por distribuidoras ligadas ao esquema. Quase 50 postos foram interditados e 12 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Piauí, que pediu indenização de R$ 74,2 milhões por dano moral coletivo.
As irregularidades foram constatadas ao longo de aproximadamente uma década, entre 2016 e 2025, e incluem adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento, falsidade ideológica e lavagem de capitais. Beto Louco e Primo estão foragidos desde a deflagração da operação em agosto de 2025. Os demais denunciados não comentaram o caso, alegando que o inquérito tramita em sigilo.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) participou de um grupo de WhatsApp com dois empresários piauienses denunciados pelo Ministério Público no âmbito da Operação Carbono Oculto 86, segundo informações da Revista Piauí. O grupo, intitulado "Ciro Vitor Haran Danilo", reunia o senador, os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, e Victor Linhares de Paiva, conhecido como Vitinho, ex-assessor de Ciro e também denunciado pelo MP por lavagem de dinheiro.
As mensagens foram obtidas pela polícia após a quebra do sigilo telemático dos empresários. Como as conversas eram temporárias e expiravam após 24 horas, parte do conteúdo só foi recuperada porque Haran fez capturas de tela dos diálogos.
Segundo a Revista Piauí, em novembro de 2023, Ciro, chamado de "Sena" pelos demais integrantes, presumivelmente abreviação de senador, convidou os colegas para tomar um café em sua casa em Teresina. Na época, Haran e Danillo negociavam a venda de parte da rede de postos HD para Roberto Leme, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo. Em dezembro do mesmo ano, Haran escreveu no grupo que o negócio estava no ponto e dependia apenas de um "ok". Ciro respondeu com "Ok", e o negócio foi fechado dias depois.
Em janeiro de 2024, o senador voltou a convidar o grupo para um encontro em seu hotel para "atualizar as coisas". As mensagens seguintes indicam que o encontro ocorreu. O site ICL Notícias também publicou foto de Ciro ao lado de Haran e Danillo no Aeroporto de Brasília, onde os três teriam embarcado juntos para Teresina.
Ciro Nogueira não é investigado no inquérito. Em nota, sua assessoria afirmou que o senador não tem envolvimento com ações ilícitas e que toda tentativa de associar seu nome a escândalos será frustrada. Os empresários Haran e Danillo não foram localizados pela Revista Piauí. Beto Louco e Primo estão foragidos desde a deflagração da operação em agosto de 2025.
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