São Marcos pede aporte de R$ 4 milhões mensais para retomar assistência oncológica
Hospital mantém suspensão de novos atendimentos pelo SUS e cobra solução para crise financeiraO Hospital São Marcos realizou, nesta segunda-feira (06/07), uma coletiva de imprensa para apresentar a situação da assistência oncológica prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Durante o encontro, o diretor técnico da unidade, Dr. Marcelo Martins, informou que a suspensão do atendimento a novos pacientes com câncer, adotada na última sexta-feira, foi motivada pela insuficiência dos recursos destinados ao custeio dos serviços de alta complexidade. Segundo ele, os pacientes que já estão em tratamento continuam sendo atendidos.
Ao detalhar o cenário financeiro da instituição, o diretor explicou que o hospital recebe atualmente cerca de R$ 5,1 milhões mensais da União e Prefeitura para o atendimento pelo SUS, além de um repasse de aproximadamente R$ 900 mil do Governo do Estado do Piauí. Também há recursos provenientes do Estado do Maranhão, que mantém pactuação para atendimento de pacientes de 27 municípios maranhenses.
Ao explicar a composição do financiamento da unidade, Marcelo Martins afirmou que o Hospital São Marcos atende pacientes de praticamente todo o estado. "O São Marcos recebe em média por mês R$ 6 milhões pelo atendimento do SUS. Esses R$ 6 milhões vêm da União e da Prefeitura de Teresina, além de R$ 900 mil do Governo do Estado do Piauí. Apenas 41% dos pacientes tratados aqui são da região Entre Rios. Os outros 59% vêm de municípios de todas as regiões do Piauí", explica.
Segundo a direção, o valor atualmente recebido não cobre os custos da assistência oncológica prestada. O hospital informou que estudos técnicos apontam a necessidade de uma complementação de aproximadamente R$ 4 milhões por mês para garantir a continuidade dos serviços e permitir a retomada dos atendimentos aos novos pacientes encaminhados pelo SUS.
Ao apresentar os cálculos que embasam o pedido de complementação financeira, Marcelo Martins destacou que os custos da instituição são compatíveis com hospitais de referência do país. "O São Marcos documentou, comparando-se com seus pares, que precisa de um aporte mensal adicional de aproximadamente R$ 4 milhões. A fonte desses recursos não cabe a nós definir. Mesmo com essa complementação, continuaríamos recebendo menos que hospitais semelhantes em outros estados", diz.
Durante a coletiva, a direção também respondeu aos questionamentos sobre críticas relacionadas à gestão financeira da instituição. Marcelo Martins afirmou que auditorias técnicas descartam irregularidades e sustentou que a crise enfrentada pelo hospital está relacionada ao modelo de financiamento da assistência oncológica.
Ao rebater questionamentos sobre a administração dos recursos da instituição, Marcelo Martins afirmou que auditorias independentes comprovam a eficiência da gestão. "Esses comentários não se sustentam. A Planisa, uma das maiores empresas especializadas em gestão hospitalar do país, concluiu que a gestão do São Marcos é eficiente e que nossos custos são totalmente comparáveis aos de hospitais da mesma complexidade. O nosso problema aqui não é de gestão. O nosso problema é de custeio, e o custeio é de responsabilidade da gestão pública", afirma.
O diretor também evitou atribuir responsabilidades específicas aos entes públicos pelo déficit financeiro. Segundo ele, a definição sobre qual esfera de governo deve ampliar os repasses cabe exclusivamente aos gestores públicos, já que o financiamento da alta complexidade é compartilhado entre União, estado e município.
Ao comentar o debate sobre quem deve assumir a responsabilidade pelo financiamento da assistência oncológica, Marcelo Martins afirmou que essa definição compete aos gestores públicos. "O São Marcos é um prestador de serviços. Se a gestão da assistência oncológica será intermediada pela Prefeitura ou pelo Governo do Estado é uma decisão dos gestores públicos. O que precisamos é de um contrato que contemple uma remuneração compatível com a complexidade e a grandiosidade do serviço prestado", declara.
Segundo a direção, para manter o funcionamento da unidade nos últimos anos, o hospital adotou medidas como a venda de um precatório de R$ 33 milhões e a contratação de empréstimos superiores a R$ 20 milhões. Ainda assim, a instituição afirma acumular um passivo financeiro de aproximadamente R$ 60 milhões.
Apesar das dificuldades, o Hospital São Marcos informou que mantém os atendimentos dos pacientes que já iniciaram tratamento oncológico. No entanto, a direção alertou que a continuidade dessa assistência também poderá ser comprometida caso não haja reforço no financiamento nos próximos dias.
Ao fazer um apelo pela retomada dos atendimentos e pela busca de uma solução para o financiamento da oncologia, Marcelo Martins afirmou que a suspensão não foi uma escolha da instituição. "O São Marcos quer retomar esses atendimentos hoje. Só que não podemos gerar falsas expectativas. Não adianta dizer que recebemos um paciente se não temos acesso aos medicamentos e aos insumos necessários para tratá-lo. Neste momento, fazemos um esforço sobre-humano para manter quem já está conosco, mas, se essa situação não for resolvida, daqui a pouco não teremos meios materiais para tratar nem esses pacientes", conclui.