Servidor que amputou o próprio pé para receber indenização foi condenado
Vanderley alegou ter sido vítima de sequestro e que os criminosos teriam amputado seu pé direitoO servidor público Vanderley dos Santos Gomes, que ficou conhecido nacionalmente após amputar o próprio pé para simular um assalto e tentar receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de seguradoras, começou a cumprir em maio deste ano as penas alternativas determinadas pela Justiça da Bahia.
O caso ocorreu em 2019 e voltou a ganhar repercussão após Vanderley esgotar todos os recursos judiciais possíveis. Condenado pelo crime de estelionato, ele recebeu pena de dois anos de reclusão em regime aberto. Posteriormente, a punição foi convertida em prestação de serviços à comunidade por 720 horas, além do pagamento de uma prestação pecuniária equivalente a cinco salários mínimos, totalizando R$ 7.590.
Na época dos fatos, Vanderley, que atuava como servidor público no município de Amélia Rodrigues, no Recôncavo baiano, procurou a polícia alegando ter sido vítima de um assalto seguido de sequestro. Segundo sua versão, criminosos armados o teriam levado para uma área rural, onde amputaram seu pé direito antes de abandoná-lo.
O caso mobilizou as forças de segurança e causou comoção. Vanderley foi socorrido pela Polícia Militar e encaminhado para atendimento médico. O pé amputado chegou a ser encontrado por policiais próximo a uma fazenda, junto com objetos pessoais que supostamente teriam sido roubados.
No entanto, poucos dias após o episódio, o servidor iniciou pedidos de indenização junto a diversas seguradoras. O valor total das apólices contratadas por ele chegava a aproximadamente R$ 1,5 milhão em caso de invalidez permanente.
Investigação desmontou a versão apresentada
As investigações conduzidas pela Polícia Civil da Bahia, pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pelas próprias seguradoras começaram a apontar inconsistências na história apresentada por Vanderley.
Os investigadores descobriram que, poucas semanas antes da suposta ação criminosa, ele havia contratado quatro seguros de vida e acidentes pessoais em diferentes empresas.
A primeira apólice foi firmada em junho de 2019, com cobertura de R$ 800 mil. Em seguida, contratou outros seguros que elevaram a cobertura total para aproximadamente R$ 1,5 milhão.
O grande volume de contratos realizados em curto espaço de tempo e o rápido acionamento das seguradoras após a amputação despertaram suspeitas. Perícias, laudos médicos, documentos e depoimentos reunidos durante a investigação reforçaram a tese de fraude.
Para os investigadores e posteriormente para a Justiça, a narrativa apresentada pelo servidor não se sustentava. A hipótese de um sequestro seguido de amputação, sem pedido de resgate ou qualquer outra vantagem por parte dos supostos criminosos, foi considerada inverossímil.
Justiça manteve condenação
A Justiça concluiu que Vanderley planejou toda a ação com o objetivo de receber as indenizações previstas nos contratos de seguro.
Durante o processo, a defesa pediu a absolvição alegando insuficiência de provas. O caso chegou ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), onde a maioria dos desembargadores decidiu manter a condenação.
A defesa ainda tentou recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não obteve êxito. Com o trânsito em julgado da ação, não restaram mais possibilidades de recurso.
Dessa forma, Vanderley dos Santos Gomes foi intimado em maio de 2026 para iniciar o cumprimento das penas alternativas impostas pela Justiça, encerrando um dos casos de fraude contra seguradoras que mais chamaram a atenção no país nos últimos anos.