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Governo Lula intensifica articulação contra tarifa dos EUA ao Brasil

Planalto descarta audiência pública e aposta em negociações diretas com Washington

O governo federal decidiu não enviar representantes oficiais para a audiência pública convocada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), marcada para o próximo dia 6 de julho. O encontro discutirá a proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

A estratégia do Palácio do Planalto é concentrar os esforços em negociações diplomáticas e políticas já em andamento entre autoridades dos dois países. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a audiência terá caráter consultivo e pouca influência sobre a decisão final da administração americana, prevista para ser anunciada em 15 de julho.

Diante do avanço da proposta tarifária, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem ampliado as articulações para tentar barrar ou adiar a medida. A mobilização envolve empresários brasileiros com atuação nos Estados Unidos, representantes da indústria e entidades ligadas ao setor produtivo.

A expectativa é que Lula trate do tema na próxima reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, o Conselhão. O governo acredita que empresas com operações nos dois países podem ajudar a demonstrar os possíveis impactos da taxação sobre cadeias produtivas integradas entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo interlocutores do Planalto, o presidente também se mostrou disposto a dialogar diretamente com empresários brasileiros que mantêm forte presença no mercado norte-americano. Entre os nomes mencionados nos bastidores está o empresário Joesley Batista, da JBS. A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos também deverá participar das discussões.

O governo argumenta que já existe um canal diplomático ativo com Washington e considera mais eficiente manter conversas reservadas entre autoridades dos dois países do que participar da audiência pública promovida pelo USTR.

Embora não envie representantes ao evento, o Brasil já apresentou contribuições técnicas por escrito ao processo conduzido pelo órgão americano. A avaliação interna é que a decisão sobre as tarifas dependerá principalmente de uma definição política da Casa Branca.

No campo político, o senador Flávio Bolsonaro afirmou ter se inscrito para participar da audiência nos Estados Unidos. A iniciativa ocorre em meio ao debate sobre os impactos das relações entre lideranças políticas brasileiras e a administração do presidente Donald Trump.

Enquanto aguarda a decisão final do governo americano, o Planalto busca ampliar a interlocução com setores econômicos e diplomáticos na tentativa de preservar o fluxo comercial entre os dois países e evitar prejuízos às exportações brasileiras.

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