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Fantasy Sports conquistam milhões no Brasil e ampliam público esportivo

Modalidade reúne 30 milhões de usuários, mas ainda busca maior rentabilidade
Redação

O esporte sempre teve um peso enorme na cultura brasileira, sobretudo o futebol. Com o avanço da internet e das plataformas digitais, esse interesse também passou a alimentar novos hábitos de entretenimento online ligados ao universo esportivo.

Um dos exemplos mais claros são as apostas esportivas, recentemente regulamentadas no Brasil. Hoje, o mercado conta com muitos operadores, e frequentemente gente acompanha os jogos dos seus times favoritos também com palpites e mercados de aposta. Ao mesmo tempo, cresceram os portais especializados que analisam a reputação dessas plataformas e ajudam o público a entender onde vale a pena jogar. 

Nesse contexto que surgem buscas e conteúdos como MMA Bet é confiável, publicados em sites informativos, que explicam se uma casa de apostas é segura, como funciona a licença e quais cuidados o utilizador deve ter ao apostar com dinheiro real. Só que as apostas não são a única forma de entretenimento online ligada ao desporto. Há também formatos em que o foco está menos no risco financeiro e mais na análise, na estratégia e no conhecimento do campeonato. É aí que entram os fantasy games, uma modalidade que já conquistou muitos brasileiros. Mas, afinal, como esses jogos funcionam e por que fazem tanto sucesso no país?

Como funcionam os fantasy games?

Nos fantasy games, o utilizador monta a sua própria equipa virtual com jogadores reais que atuam no campeonato. Em vez de controlar a partida diretamente, ele escolhe atletas de clubes diferentes e passa a depender do rendimento deles em campo. Dá, por exemplo, para escalar um avançado do Corinthians, um médio do Botafogo e um defesa do Flamengo na mesma equipa, algo que nunca aconteceria num jogo real.

A pontuação costuma ser baseada em estatísticas objetivas. Gols, assistências, defesas, desarmes e outras ações positivas rendem pontos, enquanto cartões, expulsões, erros e faltas podem prejudicar o desempenho da equipa virtual. Por isso, o fantasy game atrai quem gosta de acompanhar futebol com mais atenção, analisar fase dos jogadores e tentar antecipar quais nomes podem ir melhor em cada rodada.

Fantasy Games: populares, mas depende do ponto de vista

Embora não existam pesquisas tão aprofundadas no assunto, a estimativa é de que 30 milhões de brasileiros joguem os fantasy games. Em uma população de cerca de 213 milhões, isso significa que 14% das pessoas no país praticam a modalidade. É inegável que esses números são altos - e a propósito, são muito próximos e talvez até maiores que a própria quantidade de brasileiros que fazem apostas esportivas. 

Se a questão é o faturamento em reais, o Brasil também movimenta uma quantia excelente - estimativas de 2022 já apontavam entre R$ 55 e R$ 65 milhões por ano. Porém, a discussão começa a mudar de ângulo se você comparar essa receita com a das apostas - no Brasil, as bets já movimentam mais de R$ 100 bilhões por ano, algo muito maior e que já começa a mostrar algo: Fantasy games são populares, mas ainda não são um mercado tão rentável no país.

Agora, outra comparação fundamental para dizer se os jogos fantasy são populares de verdade no Brasil é comparar com um mercado onde eles dominam: os Estados Unidos.

Estados Unidos x Brasil: diferenças nos esportes fantasy

Se no Brasil 30 milhões parece um número alto, nos Estados Unidos, as estimativas da Fantasy Sports & Gaming Association são de 50 milhões de pessoas fãs de fantasy games por lá. Com cerca de 340 milhões de habitantes, a porcentagem é, de forma surpreendente, bem semelhante à do Brasil - 14,6% do país gosta da modalidade. Então, proporcionalmente, o interesse é igual ou próximo, mas ainda existem diferenças grandes a serem discutidas. Veja a tabela.

Enquanto a cultura dos fantasy games já é mais forte e espalhada entre mais esportes nos Estados Unidos, no Brasil, ela é centralizada no futebol. Mas o dado mais marcante é, sem dúvidas, o fato da movimentação financeira anual nos EUA ser quase 700 vezes maior no Brasil. 

Os jogos fantasy giram muito mais dinheiro nos Estados Unidos

A própria história desses jogos mostra por que são os EUA que dominam: foi lá que surgiram os primeiros games, logo na década de 1950, antes mesmo da internet. Então, em 1990, o mercado já era forte e já penetrava na internet durante o surgimento dela. Já no Brasil, nomes populares como o Cartola, o maior jogo da categoria no país, só surgiram por volta de 2005.

Sendo assim, o próprio exemplo do Cartola FC permaneceu por anos apenas como um jogo — não havia um grande modelo de monetização ou dinheiro envolvido, até mesmo por questões regulatórias. Assim, depois de ter lançado em 2021 a modalidade chamada Cartola Express, que ofereceria premiações em dinheiro real, em poucos anos ele foi descontinuado no Brasil, já em 2024.

A grande diferença aqui é que, até mesmo por já serem parte da cultura norte-americana, a integração dos esportes fantasy ao ecossistema de apostas (o chamado iGaming) permite com que participem melhor do mercado e possam garantir sua sobrevivência. Mas, e com a regulamentação das apostas no Brasil no fim de 2023, será que essa pode ser a virada de chave para os fantasy games no país?

Um mercado forte e com potencial imenso

No fim, a receita gerada pelos fantasy sports no Brasil ainda é muito baixa. Mas, ainda assim, milhões de pessoas continuam jogando não só o Cartola FC, mas também outros como o NBA Fantasy, focado no basquete. A questão é: como o país pode transformar isso em dinheiro girando? 

Bom, nos Estados Unidos, o que deu certo foi a evolução para um ecossistema de apostas com daily fantasies pagos e com parcerias com as ligas profissionais. Há até mesmo exemplos de fantasy games que acabaram evoluindo para sites de apostas esportivas. 

Já no Brasil, o desafio sempre esteve nessa ligação com o mercado de apostas: durante muitos anos, o setor operou sem um quadro regulatório plenamente definido e, mesmo após a legalização em 2018, a regulamentação só ganhou forma mais concreta a partir de 2023.

Seja qual for a resposta para essa pergunta, hoje o cenário já é bem mais consolidado e o terreno está preparado. Não por acaso, algumas bets no país até já têm seus fantasy games próprios, embora eles não sejam tão populares.

Como os dois mundos se reunirão?

Nos EUA, a cultura e as suas práticas favoreceram uma integração mais natural entre fantasy sports e as apostas esportivas. Aqui no Brasil, as atividades também têm suas proximidades, mas os jogos de fantasia ainda não movem tanto dinheiro quanto as bets por si próprias. Agora a dúvida é: será que o povo tem interesse real nessa união entre os dois mundos? Como fazer essa junção e garantir que ela fique natural e interessante para os brasileiros?