Em Pauta

A Queda dos Gigantes: Piauiense vira de cabeça para baixo e empurra campeões

Com o fim da fase classificatória da primeira divisão, confirmou-se o que parecia improvável

O futebol do Piauí vive um desses capítulos que parecem escritos por um dramaturgo cruel, daqueles que não pedem licença à tradição. Com o fim da fase classificatória da primeira divisão do Campeonato Piauiense, confirmou-se o que parecia improvável. Dois campeões da história do estado, velhos senhores de taça e glória, tombaram. Parnahyba e Corisabbá estão rebaixados para a Série B de 2026.

É como se o passado tivesse sido empurrado escada abaixo. O caso do Corisabbá tem requintes de ironia trágica. Campeão da segunda divisão no ano passado, subiu como quem retorna ao salão principal depois de um exílio breve, e mal teve tempo de desfazer as malas. Cai novamente. Sobe num ano, desce no outro. O elevador da história não lhe deu trégua.

Já o Parnahyba, esse é um drama shakespeariano à beira-mar. Único clube centenário do Piauí ainda em atividade, carregando nas costas décadas de epopeias e arquibancadas lotadas no litoral, conheceu agora sua primeira queda. Era o fidalgo que atravessava os campeonatos com a altivez de quem conhece o próprio brasão. Pois eis que o brasão se mancha com a poeira da segunda divisão.

E não estão sós nesse purgatório. Na Série B já repousam outros campeões estaduais de peso: Picos, Tiradentes, 4 de Julho, Comercial e Barras, alguns deles com o futebol profissional já desativado, como velhos teatros fechados, onde ainda ecoam aplausos de outrora.

E como se não bastasse, a própria aristocracia do nosso futebol terá de se encarar no porão. A dupla Rivengo, os dois maiores campeões estaduais, protagonizará, pela primeira vez na história, um clássico na Série B. É o maior duelo do estado disputado longe dos salões nobres. Um River x Flamengo no segundo andar do futebol local. Há nisso algo de épico e melancólico.

Ainda não se sabe ao certo o desenho final da próxima Série B. Mas já se sabe que ela terá mais camisas pesadas do que a própria elite.

Enquanto isso, na primeira divisão, o cenário revela a troca de guarda. Apenas três clubes com títulos permanecem vivos, e todos garantidos nas semifinais. O Piauí, atual campeão, busca o bicampeonato e o sétimo título de sua história. O Fluminense corre atrás do segundo troféu. Já o Altos sonha com o quinto.

Entre eles, surge o novato audacioso: Atlético Piauiense, que alcança sua primeira semifinal na elite, como quem invade um baile sem pedir convite. É a revolução silenciosa dos que não tinham retrato na parede.

Nos últimos anos, os grandes campeões vêm tombando como estátuas antigas corroídas pelo tempo. E os clubes mais jovens, mais leves, menos presos à própria biografia, tomam a rédea do campeonato. O futebol piauiense vive uma transição que não é apenas técnica ou administrativa, é existencial.

Porque no futebol, como na vida, a tradição não entra em campo. Quem joga é o presente. E o presente, implacável, não respeita sobrenome.

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