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Um em cada três adolescentes já dirigiu em Teresina e o trânsito cobra essa conta

Cidade tem quarto maior índice do país e maior do Nordeste
Redação

Os números acendem um alerta silencioso nas ruas de Teresina. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgados pelo IBGE, revelam que 33,9% dos adolescentes da capital já conduziram algum veículo motorizado, prática ilegal para quem não possui habilitação. Em outras palavras: um a cada três jovens já esteve ao volante antes da idade permitida.

O índice coloca Teresina em uma posição preocupante: é o quarto maior entre todas as capitais brasileiras e o mais alto do Nordeste, ficando atrás apenas de Boa Vista (38,1%), Cuiabá (37,5%) e Palmas (36,2%). Embora o percentual da capital esteja 12,2 pontos percentuais abaixo da média do Piauí, o recorte urbano expõe um comportamento de risco concentrado, e frequente.

O dado não vem sozinho. Ele dialoga com uma realidade ainda mais dura: as mortes no trânsito envolvendo adolescentes. Em 2024, ano de referência da pesquisa, cinco jovens entre 13 e 17 anos morreram em acidentes em Teresina, quase 3% de todas as vítimas fatais no trânsito da capital. Em 2025, o número caiu para duas mortes, mas segue como um indicador que não permite complacência.

A pesquisa também escancara desigualdades no comportamento. Entre os meninos, a proporção dos que já dirigiram chega a 55% no Piauí, contra 37,5% entre as meninas. O recorte por tipo de escola reforça outro contraste: 48,1% dos estudantes de escolas públicas relataram já ter conduzido veículos, ante 31,8% da rede privada.

No cenário nacional, a média é de 34,2% dos jovens que já estiveram ao volante. Estados como Tocantins (49,3%), Mato Grosso (47,7%) e Pará (46,8%) lideram esse comportamento, enquanto São Paulo (24,4%), Rio Grande do Sul (24,6%) e Distrito Federal (24,7%) registram os menores índices. Ainda assim, o dado de Teresina chama atenção pelo contexto: uma capital onde a prática ilegal aparece com força e cobra seu preço em vidas jovens.