Em 2025, exatos 144 animais silvestres resgatados retornaram à natureza no Piauí
É a soma de histórias interrompidas e retomadas, de tempo, técnica e zelo pelo que faz
No ano passado, um total de 144 animais silvestres voltaram à natureza pelas mãos de cuidadores do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Não é apenas um número. É a soma de histórias interrompidas e retomadas, de tempo, técnica e zelo pelo que faz.
Em 2025, esse compromisso segue vivo. Nesta semana, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh) realizou a primeira soltura do ano, em uma área de proteção ambiental no Norte do Estado.
Foram 22 animais devolvidos ao lugar de onde nunca deveriam ter saído. A maioria, aves. Entre eles, suindara, gavião-carijó, xexéu, azulão-verdadeiro, trinca-ferro, sabiás-laranjeira. Também cinco jabutis-piranga e dois veados-catingueiros.
Nada ali acontece por acaso. Cada soltura é resultado de uma decisão técnica, que observa a saúde, o comportamento e a capacidade de sobrevivência de cada animal. Soltar, nesse contexto, é um ato de responsabilidade. É garantir que a liberdade não seja um risco.
“Cada animal devolvido à natureza simboliza o compromisso da Semarh com a preservação da vida silvestre. É um trabalho contínuo, que exige paciência, conhecimento e respeito ao tempo da fauna”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Feliphe Araújo.
Somente em 2025, o Cetas já recebeu 386 animais vítimas de incêndios, tráfico e maus-tratos. Alguns ainda seguem em reabilitação. Outros, como os 22 desta semana, conseguiram completar o ciclo.
“O processo não segue um prazo fixo. Cada animal responde de forma diferente, e a soltura só acontece quando temos segurança de que ele pode sobreviver em liberdade”, explica Danielle Melo, gerente de Fauna e Proteção Animal da Semarh.
Entre os casos mais marcantes de resgate em 2025 está o de uma onça-parda juvenil, encontrada no ano passado em uma área queimada, no município de Nazaré do Piauí. Ela está completamente debilitada e vulnerável. Ela continua em processo de reabilitação e até recebeu um nome: Nazaré. O batismo foi feito após votação popular nas redes sociais.