De Volta aos cadernos: EJA cresce 13,2% no PI e reacende a esperança de milhares
O total de estudantes saltou de 83.706 para 94.789 em apenas um anoEm um estado onde ainda há feridas abertas pelo analfabetismo, cada nova matrícula na Educação de Jovens e Adultos representa mais do que um número: é uma história retomada, um sonho reativado, uma dignidade que se reconstrói.
No Piauí, os dados mais recentes do Censo Escolar mostram um crescimento expressivo de 13,2% nas matrículas da EJA em 2025. O total de estudantes saltou de 83.706 para 94.789 em apenas um ano. São mais de 11 mil piauienses que decidiram voltar à sala de aula, muitos deles depois de décadas afastados dos livros.
O avanço é significativo, especialmente em um estado que ainda convive com um índice de analfabetismo de 13,8%, acima de dois dígitos. A maior parte dessas pessoas tem mais de 50 anos, homens e mulheres que cresceram em tempos em que estudar era privilégio, não direito. Muitos trocaram a escola pela roça, pelo trabalho precoce, pela sobrevivência. Agora, retornam com outra consciência: a de que aprender também é uma forma de libertação.
O crescimento das matrículas revela que as políticas públicas de incentivo ao retorno à escola têm surtido efeito. Programas de busca ativa, flexibilização de horários, oferta de turmas noturnas e integração com políticas sociais estão ajudando a reconstruir pontes interrompidas pela desigualdade. Mais do que abrir vagas, o desafio tem sido acolher trajetórias.
Na EJA, a sala de aula é diferente. Ali, o aluno carrega calos nas mãos, histórias de perdas, responsabilidades familiares. Divide o tempo entre o trabalho, os netos e o caderno. Não raro, enfrenta o medo de não conseguir acompanhar. Mas também leva consigo uma determinação que só quem já enfrentou a vida conhece.
O aumento de 13,2% nas matrículas não resolve, por si só, o problema histórico do analfabetismo. Mas aponta uma direção. Mostra que há sede de aprender. Mostra que políticas bem direcionadas podem transformar estatísticas em oportunidades reais.
Cada nome que entra na lista da EJA representa alguém que decidiu reescrever a própria história. E quando quase 95 mil piauienses ocupam novamente as carteiras escolares, o que cresce não é apenas o número, é a esperança de um estado mais justo, mais alfabetizado e mais consciente do poder transformador da educação.