Em Pauta

Quando o tempo apita falta: 40 anos sem o Piauí na elite do futebol brasileiro

Última vez que o Piauí teve um representante na elite do futebol brasileiro foi em 1986

O apito vai soar no dia 28 de janeiro, a bola vai rolar para mais um Campeonato Brasileiro da Série A, e o futebol piauiense vai completar, em silêncio, quarenta anos fora da elite nacional. Quatro décadas. Tempo suficiente para uma geração inteira crescer sem ver um clube do estado disputar o andar de cima do futebol brasileiro.

A última vez foi em 1986. O palco era outro, o roteiro também. Não havia Série A, B, C ou D. O Brasileirão era um campeonato gigante, espalhado pelo país, e o ingresso vinha pelo orgulho local: quem era campeão estadual, entrava. O Piauí Esporte Clube chegou lá assim, embalado pelo título de 1985, levando o nome do estado para enfrentar clubes tradicionais, em tempos de arquibancadas cheias e futebol mais próximo do povo.

A campanha não foi de glória, mas foi de pertencimento. O Piauí estava ali. Jogava o mesmo campeonato dos grandes. E isso, para quem vive longe dos holofotes do eixo, valia muito.

O tempo passou, o futebol se organizou, criou divisões, fechou portas. E o Piauí ficou do lado de fora. Vieram as tentativas na Série B, depois na C, a esperança reacendida na D. Em 2015, o River chegou perto como nunca: vice-campeão da quarta divisão, com o acesso escapando nos detalhes, como uma bola que passa rente à trave.

E o futebol, esse contador de histórias, gosta de ironias. Em 2025, exatamente 40 anos depois, o Piauí Esporte Clube voltou a ser campeão estadual. O mesmo escudo, a mesma camisa, outra realidade. Em 2026, o clube estará novamente no Brasileiro. Não na elite, mas na Série D, o ponto de partida mais distante do sonho.

Quando a Série A começar, o Piauí não estará em campo. Estará na memória. Na lembrança de que já esteve lá. Na esperança de que um dia o apito volte a soar para o futebol piauiense no lugar onde ele nunca deixou de sonhar estar.

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