Macaquinho morre após ser baleado na Floresta Fóssil e expõe maus-tratos no Piauí
Ainda chegou a ser resgatado e encaminhado ao CETAS para tratamento, mas não resistiuTodos os dias, pelo menos uma denúncia de maus-tratos a animais chega ao COPOM da Polícia Militar do Piauí pelo telefone 190. O número, por si só, já é alarmante. Mas ele ganha contornos ainda mais graves quando se olha para o acumulado: somente nos últimos dois anos, foram 757 chamadas relatando violência contra animais em diferentes regiões do estado.
Os registros incluem todo tipo de crueldade l, abandono, agressões físicas, caça ilegal, aprisionamento e mortes. Um retrato de uma violência silenciosa, cotidiana e, muitas vezes, naturalizada. O resultado disso aparece nas estatísticas do Batalhão de Polícia Ambiental, que apontou um crescimento de 23% no atendimento de ocorrências de maus-tratos entre 2024 e 2025.
O caso mais recente e chocante aconteceu este ano, na Floresta Fóssil, em Teresina. Cinco pessoas foram flagradas caçando macaquinhos saguis, uma prática criminosa e cruel. Um dos animais foi atingido por um disparo na cabeça. Ainda chegou a ser resgatado e encaminhado ao CETAS para tratamento especializado, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Para a gerente de Fauna e Defesa Animal da SEMARH, Danielle Melo, o episódio revela mais do que um crime isolado. “É um alerta sobre a necessidade de combater com firmeza os maus-tratos e fortalecer a consciência de que animais silvestres não são alvos de caça, nem objetos de diversão”, afirma.
A legislação brasileira é clara. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) prevê punições para quem pratica abuso, maus-tratos, fere ou mutila animais silvestres, domésticos ou domesticados. Desde 2020, com a Lei nº 14.064, a pena foi agravada nos casos que envolvem cães e gatos, podendo chegar a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda de animais. No caso de fauna silvestre, como os saguis, também há sanções administrativas e penais severas.
Não se trata apenas de cumprir a lei, mas de reafirmar valores. Maus-tratos a animais são um indicador de desequilíbrio social, de perda de empatia e de desrespeito à vida. Denunciar é um dever cidadão. Proteger os animais é proteger o próprio futuro.
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