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Educação no CETI Oka Ka Inaminanoko fortalece a identidade indígena no Piauí

O foco da comunidade escolar permanece na retomada da originalidade e na luta pela terra
Redação

No coração da zona sul de Teresina, o Centro Estadual de Tempo Integral (CETI) Indígena Oka Ka Inaminanoko ergue-se como um símbolo de resistência e afirmação cultural. No marco do dia 19 de abril, a unidade escolar torna-se o epicentro de um debate necessário: o combate ao apagamento histórico e a desconstrução de estigmas que ainda cercam os povos originários no Piauí e no Brasil. 

O Ceti Oka Ka Inaminanoko, além de ser a primeira escola indígena do estado do Piauí, também aparece como uma das principais do Brasil. É a única a possuir uma galeria de artes, com peças produzidas no Brasil e no mundo. 

Para a professora de artes Aliãn Wamiri, a data é um marco político e de sobrevivência. Ela destaca que o processo de colonização impôs um silenciamento que muitos ainda tentam manter. "O dia 19 de abril é extremamente importante porque demarca a nossa vida aqui, porque quando chegou a colonização, o apagamento histórico foi grande, né? As pessoas não conheciam os povos indígenas, acham inclusive que o Piauí não existe indígenas", afirma Aliãn. Ela reforça a diversidade do país, que abriga mais de 275 línguas e 570 povos, pontuando que a data é de "comemoração pela nossa existência e resistência e luta por alguns direitos ainda negados".  

A escola desempenha um papel fundamental na preservação da identidade. A diretora do CETI, Aline Guajajara, ressalta que o currículo diferenciado da unidade, embora em parceria com as diretrizes da Secretaria de Educação (SEDUC), foca no fortalecimento das raízes. "Saber quem nós somos, como é que a escola trabalha, que tem um currículo diferenciado, só nos fortalece", explica a diretora. Ela credita o avanço das escolas indígenas no estado ao empenho da gestão atual, mencionando o governador Rafael Fonteles e o secretário Rodrigo Torres como parceiros fundamentais nessa caminhada de anos de luta. 

A resistência também se manifesta na superação das barreiras linguísticas. A professora Jamile Mendoza desempenha um papel crucial na tradução de disciplinas como matemática, química e biologia para estudantes que ainda não dominam o português. "Muitos estudantes não têm contato com brasileiros, para eles está sendo muito difícil. Estou ali orientando, traduzindo em Warao e também em espanhol para que compreendam", relata Jamile, evidenciando a complexidade e o cuidado necessário na educação bilíngue e intercultural.  

Para os alunos, o CETI é um espaço de aprendizado que une o conhecimento formal às tradições ancestrais. A estudante Yumili Mendoza compartilha com entusiasmo as atividades práticas que reforçam sua identidade. "Aqui na escola a gente aprende muita coisa, como o artesanato do colar e pulseiras, e muita coisa", conta a jovem, mostrando que a cultura indígena é viva, dinâmica e transmitida através das mãos e do convívio. 

O foco da comunidade escolar permanece na retomada da originalidade e na luta pela terra, um direito essencial para a manutenção da vida indígena. Como resume a professora Aliãn Wamiri, o objetivo é garantir que os povos originários possam, finalmente, "fazer essa retomada às suas originalidades e aos seus territórios".