Notícias do Agro

Clima preocupa milho safrinha e colheita da soja avança para 82% no Brasil

Safrinha depende de chuvas até maio, enquanto excesso de umidade desafia a colheita

O clima segue como protagonista no desempenho das principais culturas agrícolas do país e já impõe desafios distintos para milho safrinha e soja na safra 2025/26. Enquanto o cereal enfrenta estresse hídrico em áreas do Centro-Sul, a colheita da oleaginosa avança, mas ainda abaixo do ritmo registrado no ano passado.

No caso do milho safrinha, o cenário de calor intenso e baixa umidade mantém produtores em alerta, especialmente em regiões estratégicas de produção. No oeste do Paraná, a situação é considerada mais crítica. As lavouras, muitas já em fase reprodutiva, etapa decisiva para a definição da produtividade, sofrem com a combinação de temperaturas elevadas e déficit hídrico. Diante desse quadro, perdas já começam a ser estimadas nas áreas mais afetadas.

O milho safrinha, ou milho de segunda safra, é o cultivo de milho realizado logo após a colheita da safra principal de verão (geralmente a soja), plantado entre janeiro e março no Brasil. Apesar do nome, hoje é uma produção de alta tecnologia e grande volume, superando a safra de verão em produtividade.

A preocupação também se estende para outras regiões do Centro-Sul. No norte do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo, os sinais de estresse hídrico começam a aparecer, o que pode comprometer o potencial produtivo caso o padrão climático se mantenha nas próximas semanas.

Por outro lado, há áreas onde as chuvas têm ocorrido de forma mais regular, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, especialistas alertam que o milho safrinha dependerá de precipitações frequentes até maio para garantir um bom desempenho produtivo.

Já a soja segue em ritmo avançado de colheita no Brasil. Segundo dados recentes, 82% da área plantada já foi colhida, um avanço em relação aos 75% da semana anterior. Apesar disso, o índice ainda está abaixo dos 87% registrados no mesmo período da safra passada.

Os trabalhos estão concentrados principalmente em regiões de calendário mais tardio, como o Matopiba, que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia  e o Rio Grande do Sul.

No Matopiba, o excesso de umidade tem sido o principal entrave. As chuvas frequentes afetam a qualidade dos grãos e dificultam o avanço das máquinas no campo. Além disso, o alto teor de umidade impacta diretamente a armazenagem, aumentando o risco de perdas qualitativas e elevando os custos logísticos.

Em contrapartida, no Rio Grande do Sul, as chuvas recentes têm beneficiado parte das lavouras ainda em fase de enchimento de grãos. Embora possam causar atrasos pontuais na colheita, essas precipitações contribuem para o desenvolvimento final da cultura, favorecendo o potencial produtivo nas áreas mais tardias.

O cenário atual reforça o peso das condições climáticas sobre o desempenho das safras brasileiras. Nos próximos dias, a regularidade das chuvas será determinante para o milho safrinha, enquanto a soja entra na reta final da colheita enfrentando desafios ligados à umidade e à logística. Até maio, a evolução do clima deve consolidar, ou limitar, os resultados da produção agrícola no país.

Leia também