Defesa da vítima de tentativa de feminicídio aponta falhas e novas provas no PI
Advogado diz que prisão foi necessária para proteger a vida da mulher
A prisão preventiva de Bruno Lima, cumprida na manhã deste sábado (10), no município de Floriano, foi motivada pelo avanço das investigações e pela inclusão de novas provas no inquérito que apura a tentativa de feminicídio ocorrida em Francisco Ayres . A informação foi confirmada pelo advogado José Dias Neto, que atua diretamente na defesa da vítima, Rosimeiry Nunes Bueno.
Segundo o advogado, a equipe jurídica passou a acompanhar o caso logo no início, após identificar falhas graves no primeiro pedido de prisão, que havia sido negado. Entre as inconsistências estavam a ausência de um exame de corpo de delito complementar e a redução incompleta do depoimento da vítima, que não refletia a gravidade e a extensão das agressões sofridas.
“O primeiro laudo apontava apenas hematomas na cabeça, quando havia lesões visíveis no rosto, na região dos olhos, braços, pernas e marcas claras de defesa. Isso exigia, de forma urgente, um exame complementar”, explicou José Dias Neto.
Com o acolhimento da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, o depoimento de Rosimeiry Nunes foi colhido de forma integral, detalhando a sequência de violências e a conduta do agressor. A partir disso, novas provas foram anexadas ao processo, revelando uma escalada de agressões que, segundo a defesa, ultrapassa qualquer padrão comum de violência.
De acordo com o advogado, Bruno Lima não aceitava o fim do relacionamento, encerrado em junho de 2020, e passou a perseguir e ameaçar a vítima após ser bloqueado em redes sociais e aplicativos de mensagens. Mesmo após pedidos claros para que cessasse o contato, o comportamento agressivo se intensificou.
Na madrugada do crime, o suspeito teria invadido a residência da vítima após escalar o muro, quebrar uma persiana e estilhaçar o vidro da casa. Mesmo ciente de que ela estava acompanhada do atual companheiro, iniciou uma série de agressões físicas extremamente violentas. O homem conseguiu fugir para pedir socorro, enquanto Rosimeiry tentou se proteger no banheiro, onde sofreu novos ataques.
“O agressor desferiu diversos socos na cabeça, bateu a cabeça da vítima contra a pia e, em um momento ainda mais grave, utilizou um pedaço de vidro tentando atingir a região do pescoço, claramente com intenção de matar”, relatou o advogado.
Ainda segundo José Dias Neto, durante as agressões, Bruno Lima teria afirmado repetidamente que estava ali para matá-la, deixando evidente o dolo e o desprezo pela vida da vítima. Ela só não foi morta porque conseguiu se defender com o braço, sofrendo ferimentos que também foram documentados posteriormente.
Diante da gravidade dos fatos, da reiteração das ameaças, inclusive após o crime, no hospital, e do risco concreto à integridade física e à vida da vítima, a Justiça decretou a prisão preventiva de Bruno Lima. A defesa destaca que a medida é essencial para garantir a segurança de Rosimeiry e para o regular andamento do processo.
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