Plantão Policial

Grupo de DF Group movimentou R$ 100 milhões em dois anos e fez mais de 70 vítimas

A empresa atraía investidores com a promessa fictícia de rentabilidade de até 10% ao mês

A Polícia Civil do Piauí revelou que o grupo investigado por crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro movimentou aproximadamente R$ 100 milhões em apenas dois anos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (10/07), durante coletiva sobre a operação que teve como principal alvo a empresa DF Trade, seu proprietário, o trader Douglas Fonseca, além de gerentes ligados ao esquema.

A ofensiva resultou no cumprimento de 10 dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Outros dois investigados permanecem foragidos. Também foram cumpridos quase 20 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como o bloqueio de contas bancárias, sequestro de imóveis, apreensão de veículos de luxo e suspensão das atividades da empresa.

Segundo o superintendente de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI), delegado Matheus Zanatta, o bloqueio do patrimônio tem como objetivo garantir a restituição dos prejuízos causados aos investidores. Durante a operação, foram apreendidos carros importados, relógios de alto valor, armas de fogo, documentos, contratos e outros materiais que passarão por análise da investigação.

De acordo com a Polícia Civil, a empresa atraía investidores com a promessa de rentabilidade de até 10% ao mês, percentual considerado incompatível com o mercado financeiro. Embora o modelo apresentasse características semelhantes às de uma pirâmide financeira, o grupo utilizava operações de trade como fachada para conferir aparência de legalidade ao negócio.

A investigação também concluiu que Douglas Fonseca utilizava as redes sociais para construir uma imagem de sucesso financeiro e atrair novos investidores. O empresário exibia carros importados, viagens internacionais, relógios de luxo e aeronaves como estratégia para transmitir credibilidade.

Até o momento, cerca de 70 vítimas já foram identificadas apenas em Teresina. A Polícia Civil acredita que esse número deverá crescer à medida que novos investidores procurem as autoridades.

Conforme as investigações, embora Douglas Fonseca afirmasse nas redes sociais que atuava no mercado havia entre cinco e sete anos, os registros obtidos durante a investigação indicam que a atuação efetiva do grupo ocorreu por aproximadamente dois anos.

A Polícia Civil também mantém contato com autoridades de São Paulo para verificar a existência de investigações envolvendo o empresário naquele estado. Até o momento, porém, não foram encontradas evidências que comprovem as declarações feitas por Douglas Fonseca sobre possuir patrimônio no exterior ou ligação com grandes investidores internacionais.

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