Conecta Piauí

Notícias

Colunas e Blogs

Blogs dos Municípios

Outros Canais

Plantão Policial

Notícias sobre casos policiais no Piauí

Ex-diretor escolhia crianças autistas não verbais para abusar em creche de Timon

O delegado Cláudio Mendes deu mais detalhes da investigação de como atuava o criminoso

O ex-diretor-adjunto de uma creche em Timon (MA), Alberto Luiz Freitas Monção, de 49 anos, escolhia deliberadamente crianças autistas não verbais para cometer os abusos sexuais dos quais é acusado, segundo revelou o delegado Cláudio Mendes, responsável pelo caso. A estratégia, de acordo com a investigação, tinha o único objetivo de garantir que as vítimas não pudessem relatar o crime.

“E chama muita atenção pelo fato de muitas crianças terem sido vítimas, crianças com o espectro autista. Durante a busca realizada na residência dele, foi encontrado um caderno que havia o nome dessas crianças e o grau de autismo. Ele escolhia as crianças que eram do autismo não verbal, que não falavam, para justamente ele cometer o crime e garantir a impunidade da parte dele”, explicou o delegado.

O modus operandi

Segundo o delegado, o ex-diretor seguia sempre o mesmo padrão para cometer os crimes. “Ele retirava essas crianças da sala, cometia o abuso sempre nessa mesma sala, era o mesmo modo modus operandi. Após o abuso, ele dava um brinquedo, bola, uma boneca, e as principais vítimas também eram do sexo masculino”, relatou.

De acordo com a Polícia Civil, imagens do circuito interno de segurança da creche, localizada no bairro Vila João Reis, mostraram o então diretor-adjunto retirando crianças da sala de aula e conduzindo-as até um depósito próximo à diretoria. O local seria o único ambiente da unidade sem monitoramento por câmeras. Ele permanecia no local por alguns minutos e, em seguida, devolvia as crianças às salas de aula oferecendo presentes.

As apurações também indicam que o investigado afastava a funcionária responsável pelas crianças antes de levá-las ao depósito, garantindo que agisse sem testemunhas adultas por perto. O caso veio à tona após familiares relatarem que algumas vítimas passaram a apresentar dores e mudanças de comportamento, circunstâncias que motivaram o aprofundamento das investigações.

As provas contra o acusado

Para o delegado, o conjunto de evidências reunido contra Alberto Luiz é robusto. “Existem provas testemunhais, provas periciais do Instituto Médico Legal (IML), imagens retiradas das câmeras. Existe um conjunto de indícios muito grande contra ele, tanto é que ele já é réu no processo criminal. Eu acredito muito agora que ele deva aguardar preso, já que a repercussão pela sua altura dele foi bastante negativa”, concluiu.

Nova prisão após rompimento de tornozeleira

Alberto Luiz foi preso novamente nesta sexta-feira (10/07), em Teresina, dias após romper a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação da Justiça e descumprir as medidas cautelares impostas durante o processo. Ele havia rompido o equipamento de monitoramento no último dia 5 de julho, passando a ser considerado foragido. Após diligências, foi localizado e capturado na capital piauiense.

O investigado estava em liberdade desde junho, quando a Justiça revogou sua prisão preventiva, decisão fundamentada no entendimento de que houve excesso de prazo para a conclusão do inquérito policial e para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público.

Apesar da revogação da prisão, ele deveria cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, o afastamento de funções públicas, a proibição de frequentar instituições de ensino, o recolhimento domiciliar no período noturno e a proibição de manter contato com vítimas e testemunhas, obrigações que, segundo a polícia, foram descumpridas.

Relembre o caso

Alberto Luiz foi preso pela primeira vez em maio deste ano, durante investigação que apura supostos abusos sexuais contra crianças na creche de Timon. Agora, com a nova prisão, o delegado Cláudio Mendes defende que o ex-diretor permaneça detido até o desfecho do processo criminal, no qual já figura como réu.