'Falsos advogados' já respondem por outros crimes e deixaram vítimas no Piauí
O grupo atuava tendo acesso ilegal à dados processuais sigilosos para aplicar golpes nos "clientes"A Operação Falso Advogado, deflagrada na manhã desta quarta-feira (04/03) pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí, revelou que os integrantes da organização criminosa desarticulada não se limitavam aos golpes eletrônicos. Segundo as investigações conduzidas pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), alguns dos alvos já respondem por crimes como tráfico de drogas e roubos, e durante o cumprimento dos mandados foram apreendidas drogas nos endereços investigados.
O grupo atuava de forma altamente estruturada e deixou vítimas no Piauí. Os criminosos utilizavam técnicas avançadas de engenharia social para acessar ilegalmente dados processuais sigilosos de pessoas com ações judiciais em andamento. De posse dessas informações privilegiadas, criavam perfis falsos se passando por advogados e passavam a contatar as vítimas com uma abordagem convincente e detalhada.
O golpe seguia um roteiro preciso, onde os falsos advogados informavam às vítimas sobre uma suposta liberação de alvarás ou valores judiciais retidos. Para que o dinheiro fosse liberado, exigiam o pagamento imediato de taxas judiciais inexistentes, quase sempre via PIX, sendo uma modalidade que dificulta o rastreamento e a recuperação dos valores transferidos.
“Vários desses alvos de hoje já respondem por roubo e tráfico de drogas. Tivemos apreensões de drogas, apreensão de valores em dinheiro. [...] O que a gente percebe é que não há um perfil específico (vítimas). Nós tivemos desde idosos, que tiveram prejuízos de até R$ 100 mil, e jovens de 25, 30 anos, que tiveram prejuízos de R$ 2 mil”, explicou o delegado Humberto Macola.
A sofisticação do esquema estava justamente no acesso indevido aos dados processuais. As vítimas, ao perceberem que os supostos advogados conheciam detalhes reais de seus processos, conferiam credibilidade às abordagens e acabavam realizando os pagamentos sem desconfiar da fraude. Os prejuízos acumulados no Piauí chamaram a atenção das autoridades e motivaram a abertura das investigações.
Ao todo, 62 medidas judiciais foram cumpridas simultaneamente em cinco estados, incluindo Ceará, Goiás, Pernambuco e Amazonas, com ações em Fortaleza, Maracanaú, Aparecida de Goiânia, Manaus e Recife. A operação foi coordenada pelo DRCC com apoio da Polícia Civil do Ceará, da Superintendência de Operações Integradas (SOI) e da Coordenação de Serviços Virtuais da Polícia Civil do Piauí.