Caso Ana Karine: família diz que acusado era obcecado por vítima e cobra justiça
Após soltura do acusado do assassinato, a família pede a requalificação do crime para feminicídioFamiliares de Ana Karine Pereira Assunção voltaram a pedir que o homem acusado de assassinar a vítima responda por feminicídio. A manifestação ocorreu na manhã desta quinta-feira (16/07), após a Justiça conceder liberdade a Wesley Nascimento Fonseca, conhecido como "Chinês", por meio de uma liminar de habeas corpus.
Além de cobrarem a volta da prisão preventiva do acusado, os familiares contestam a versão apresentada de que o crime teria sido motivado por uma dívida de aproximadamente R$ 30. Segundo a irmã da vítima, entre Ana Karine e Wesley existia uma relação de proximidade, marcada por um sentimento que não era correspondido.
De acordo com Riany Assunção, a vítima frequentava o estabelecimento onde Wesley trabalhava, mantinha contato frequente com ele e havia uma relação de confiança entre os dois.
“Não, não existe isso não, 30 reais não. [...] existia ali um amor não correspondido. Eu não diria amor, um sentimento não correspondido. Ela andava lá, ela bebia com ele, isso é verdade, ela dava o cartão pra ele comprar cigarro no posto que ele ia com a senha. Então, eles tinham sim uma intimidade. Essa história de 30 reais não é verídica. Isso aí foi uma coisa inventada”, explicou.
Durante o ato, a família também se mostrou indignada com a decisão que colocou o acusado em liberdade e fez um apelo para que o Ministério Público peça a reavaliação do caso e a decretação de uma nova prisão preventiva.
“Tirou a vida da minha irmã de uma forma brutal e calculista. E aí o desembargador concede a liberdade pra ele, deu nova oportunidade. Minha irmã não teve essa oportunidade que ele tá tendo agora, de criar os filhos dela, de viver a mocidade dela, que ela era uma moça nova. [...] Eu peço encarecidamente ao Ministério Público que ele reveja esse caso, que interfira na decisão desse desembargador e peça novamente a prisão preventiva dele”, reivindicou.
Acusado foi solto por decisão do TJ-PI
Wesley Nascimento Fonseca foi colocado em liberdade após o Tribunal de Justiça do Piauí entender que a manutenção da prisão preventiva não estava fundamentada em elementos atuais que justificassem a continuidade da medida.
Na decisão, o desembargador destacou que a instrução processual já havia sido encerrada, afastando o risco de interferência na produção de provas. Também foram considerados o fato de o acusado ser primário, possuir residência fixa, exercer atividade lícita e ter se apresentado espontaneamente à polícia após tomar conhecimento do mandado de prisão.
Apesar da soltura, Wesley continuará respondendo ao processo e deverá cumprir as medidas cautelares impostas pela Justiça. O descumprimento de qualquer uma delas poderá resultar em uma nova prisão.
Relembre o caso
Ana Karine Pereira Assunção foi morta na madrugada de 2 de agosto de 2025, em uma hamburgueria localizada na Avenida Miguel Rosa, em Teresina. Conforme a investigação, ela foi atingida por um golpe de faca na região do pescoço após uma discussão ocorrida no estabelecimento, onde Wesley trabalhava como proprietário.
Após o crime, o acusado permaneceu foragido por alguns dias e se apresentou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ocasião em que teve a prisão preventiva cumprida. Agora, a família busca a requalificação do processo para feminicídio e a revisão da decisão que permitiu sua liberdade.