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Ex-servidora denuncia presidente da Câmara por assédio, ameaça e 'rachadinha'

São João da Serra: vereador Raimundo Coimbra é denunciado por pedir 13º salário de funcionários
Redação

Uma ex-servidora da Câmara Municipal de São João da Serra denunciou o presidente da casa, Raimundo Coimbra, por assédio moral, improbidade administrativa e ameaça de morte. A denúncia foi formalizada em dezembro de 2025, e a funcionária, que trabalhou 12 anos na instituição, foi demitida logo após o registro do boletim de ocorrência.

Segundo Werlene, o presidente solicitou o 13º salário dela e de outros servidores para comprar um letreiro para a Câmara, que estava em reforma. Áudios gravados comprovam a solicitação feita por Coimbra.

"No dia 1º de dezembro do ano passado, eu registrei um boletim de ocorrência contra o atual presidente da Câmara, o senhor Raimundo Coimbra, por assédio moral, improbidade administrativa e ameaça de morte. Devido a muito tempo, eu sofri constrangimento legal, assédio moral e eu fiquei calada. Em outubro do ano passado, o senhor presidente pediu o meu 13º, dois dias seguidos, para comprar o letreiro para a Câmara. A Câmara estava de reforma e ele disse que queria o meu 13º porque não tinha mais como ele gastar sem licitação. Eu me recusei e ele disse que em janeiro iria me demitir por conta disso", relatou a ex-servidora.

A funcionária afirmou que, após a recusa, passou a sofrer constrangimentos públicos. "Ele já tem um perfil muito intimidador, eu já ia trabalhar com a pressão psicológica dada por ele, ele jogava piadas indiretas por conta disso, e em novembro houve uma sessão na qual ele me constrangeu publicamente, disse que iria me demitir, ia colocar outra pessoa como secretária, e tudo isso se dá por conta do 13º que eu me neguei a entregar", declarou.

A situação agravou-se após sessão realizada em 28 de novembro de 2025. "Após a sessão, essa sessão do dia 28 de novembro de 2025, ele me ameaçou de morte, então por conta disso, me vi obrigada a registrar um boletim de ocorrência na Casa da Mulher Brasileira no dia 1º de dezembro, porque eu fiquei com medo e ainda estou", afirmou.

A ex-servidora destacou que foi ela quem formalizou a denúncia às autoridades competentes. "Eu quero deixar bem claro aqui que os vereadores acataram a denúncia feita por mim. Não foi os vereadores que denunciaram o seu presidente, fui eu, enquanto ex-secretária por conta dos crimes que sofri por conta dele", esclareceu.

Quando tentou protocolar a denúncia na Câmara, o presidente se recusou a recebê-la. "O senhor presidente no dia que eu me dirigi à Câmara para protocolar a denúncia, ele se negou a receber e disse que eu não poderia entregar a denúncia porque eu não era vereadora. Infligindo a Constituição Federal, a lei orgânica do município e o Decreto Lei 201, que me assegura que eu, enquanto cidadã eleitora, posso sim registrar uma denúncia na Câmara", afirmou a denunciante.

VEJA O VÍDEO:

Crime de concussão
O advogado Marcos Vinicius Brito, que representa a vítima, classificou a conduta do presidente como crime de concussão.

"Realmente cometendo um crime de concussão, porque concussão não basta, não precisa a pessoa ter dado dinheiro, só o pedido dele já caracteriza crime. Eu vi, eu achei até hilário em uma entrevista que ele deu, dizendo que ela teria que provar de que ele teria recebido dinheiro, não, não precisa provar que recebeu, basta pedir o público se pedir dinheiro pra alguém em razão da função, ou fora dela, é crime de concussão. E ele cometeu o crime de concussão", declarou o advogado.

Marcos Vinicius revelou que Coimbra já foi condenado anteriormente em processos movidos por outras mulheres. "Ele já é condenado porque outras mulheres, ou ele deve ter algum problema com mulher, eu não sei, ele por outras duas mulheres já entraram na justiça contra ele e ele já não é mais primário, ele já tem uma condenação e vai ter outra condenação agora", afirmou.

O advogado detalhou que representa duas mulheres que entraram com ações contra o presidente. "Eu sou advogado de duas mulheres que ele ofendeu, uma já saiu a sentença, ele foi condenado a indenizá-la no valor de cinco mil reais, ele ainda não pagou, nós estamos executando a sentença e outra sentença também já saiu no mesmo sentido de que ele indenize essa senhora por danos morais porque ele as agrediu dentro da câmara", revelou.

Segundo o advogado, o comportamento agressivo não se limitava à sua cliente. "Todos os funcionários eram simplesmente humilhados, xingados por ele, como se a câmara fosse dele. Veja bem, veja o absurdo, a casa do povo, o povo era enxotado, maltratado, humilhado", denunciou Marcos Vinicius.

Confusão na Câmara
A sessão da última sexta-feira (20/02) na Câmara Municipal foi marcada por tensão após a leitura da denúncia contra Raimundo Coimbra. O episódio terminou em bate-boca no plenário envolvendo o vereador Herbet Torres.

Herbet Torres confirmou que a denúncia foi apresentada por uma ex-funcionária da Casa. "Essa ação que nós estamos abrindo é um processo de investigação porque tem uma ex-funcionária da casa que denunciou ele por assédio moral, ameaça de morte e vários outros crimes", declarou o vereador.

A denúncia foi lida em plenário e colocada em votação. "Foi feita uma votação, ela foi aprovada por unanimidade para ser recebida. Depois disso, foi feito o sorteio dos membros da comissão e a gente vai abrir um processo contra ele, a comissão processante", explicou Herbet.

A comissão responsável pela apuração é presidida pelo vereador Heldo Lima, tendo como relatora a vereadora Paloma André e como membro o vereador Carlos César. Herbet Torres não integra o grupo.

O momento de maior tensão ocorreu quando o presidente teria tentado retirar os documentos que estavam sendo lidos durante a sessão. "Ele pegou simplesmente os documentos que estavam sendo lidos da comissão e queria sair de dentro do recinto com os documentos, assim como ele saiu. Porque eu segurei o documento e ele puxou e foi onde ele disse que eu agredi ele", relatou Herbet.

O vereador negou qualquer agressão física. "Eu não trisquei nele, ninguém triscou nele, não houve agressão em momento algum. O que houve foi que eu segurei o documento e ele puxou, só isso aí", afirmou.

O espaço segue aberto para pronunciamento do presidente da Câmara Municipal, vereador Raimundo Coimbra.