Após interdição do Beer Store, sindicato expõe salários atrasados de funcionários
Entidade afirma que empresa acumula denúncias trabalhistas e convoca empregados para ações judiciais
RedaçãoA crise envolvendo o Beer Store ganhou um novo e ainda mais delicado capítulo. Horas após o estabelecimento ser interditado por órgãos de fiscalização por suspeitas de irregularidades na venda de bebidas, o sindicato que representa trabalhadores do setor de bares e restaurantes no Piauí revelou que a empresa também estaria acumulando denúncias por atrasos salariais e pendências trabalhistas com funcionários.
A denúncia foi feita pelo Sindicato da Hotelaria e Gastronomia do Estado do Piauí (Sintshogastro-PI), que informou já acompanhar há algum tempo reclamações envolvendo o não pagamento de direitos básicos dos empregados da empresa. Segundo a entidade, trabalhadores relatam atrasos frequentes nos salários, pendências no pagamento do 13º salário e dificuldades para obter respostas da direção do estabelecimento.
O dirigente sindical Franklin Batista afirmou que a situação não é recente e acusou a empresa de ignorar tentativas anteriores de diálogo feitas pelo sindicato. Segundo ele, a interdição desta segunda-feira apenas agrava um cenário que já vinha sendo denunciado internamente pelos trabalhadores.
“Atenção trabalhador e trabalhadora da empresa Beer Store, a gente está aqui, teve o fechamento da empresa por questões de vigilância sanitária e outras problemáticas. A gente também tem o nosso ofício que já mandou para a empresa, esse não é o primeiro, já foram vários, a empresa não responde. Existem vários desrespeitos à classe trabalhadora no que trata dos seus direitos, 13º atrasado, pagamento atrasado, tudo atrasado dentro da empresa. Então a gente está aqui hoje para chamar todos os trabalhadores e trabalhadoras para que venham até o sindicato para a gente poder entrar com as ações de rescisões indiretas”, declarou.
Alex Rocha afirmou que diante da repercussão do caso nas redes sociais, a entidade decidiu se colocar imediatamente à disposição dos funcionários, especialmente porque existe preocupação sobre a capacidade financeira da empresa de quitar os débitos trabalhistas após a interdição.
“Diante da repercussão que está tendo nas redes sociais, nós do sindicato estamos aqui de prontidão para proteger a classe trabalhadora, em especial os trabalhadores dessa empresa. A gente entende que em virtude da situação, com certeza o problema para a quitação dos débitos desses trabalhadores vai ser complicado. Por isso que nós estamos nos colocando à disposição dos trabalhadores da empresa para dar condução a esse processo, que com certeza vai gerar um processo”, afirmou.
O Beer Store foi interditado após uma operação coordenada pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público do Piauí identificar suspeitas de adulteração no chopp comercializado, além da presença de produtos vencidos e ausência de documentação obrigatória para funcionamento. Durante a fiscalização, agentes encontraram indícios de que barris vendidos como chopp premium poderiam estar sendo abastecidos com cervejas mais baratas, como Glacial e Lokal.
Agora, além de responder pelas irregularidades apontadas pelos órgãos de defesa do consumidor, a empresa também passa a enfrentar pressão trabalhista, com o sindicato organizando medidas judiciais em defesa dos funcionários que alegam prejuízos financeiros e descumprimento de direitos trabalhistas.
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