Doce de fava e fermentado de caju encantam visitantes na Feira da Agricultura

Tradição, inovação e receitas de família destacam sabores típicos no evento da UFPI
Redação

A tradição passada entre gerações e a criatividade para transformar frutos da terra em novos produtos têm chamado a atenção de quem visita a III Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária. Em seu terceiro dia de programação, realizada no Espaço Rosa dos Ventos da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a feira reúne agricultores familiares de todas as regiões do Piauí e tem apresentado ao público sabores pouco conhecidos, como o doce de fava, o fermentado de caju e a bebida alcoólica mista produzida à base de cajuína.

Entre os estandes que mais despertam a curiosidade dos visitantes está o da agricultora Maria José de Oliveira Lima, da comunidade Bom Princípio, em Tanque do Piauí. Doceira, quebradeira de coco, produtora de azeite de babaçu e trabalhadora rural, ela comemora a repercussão do doce de fava, uma receita que carrega décadas de história familiar.

Segundo Dona Maria, o doce nasceu dentro de casa. A receita foi criada por uma tia, Maria de Jesus, inicialmente apenas para consumo da família. Com o tempo, outras mulheres da comunidade passaram a reproduzir a iguaria, transformando o preparo em uma tradição local que hoje também representa geração de renda. 

"O doce foi criado pela minha tia. Ela fazia só para a família. Depois outras mulheres começaram a produzir também e hoje a gente continua esse trabalho, mantendo essa tradição e levando para mais pessoas conhecerem", conta.

A produção mantém praticamente o mesmo modo de fazer de antigamente. A fava é colocada de molho, cozida, lavada e pilada manualmente até formar uma massa. Depois, ela é escorrida em um pano para retirar toda a água antes de receber leite extraído do coco babaçu e um caramelo preparado com açúcar. Dependendo da receita, ingredientes como cravo, canela, leite de vaca e coco também são adicionados, resultando em um doce de sabor marcante e pouco conhecido até mesmo entre muitos piauienses.

Empresa no sul do estado inova e traz à feira o fermentado de caju

Outro destaque da feira são os produtos derivados do caju produzidos pela empresa “Banzerinho”  no município de Francisco Santos, no sudeste do estado. Há cinco gerações ligada ao cultivo da fruta, a família iniciou há 14 anos o beneficiamento da produção, que antes era comercializada apenas como matéria-prima.

Hoje, além da tradicional cajuína, o empreendimento desenvolve novos produtos, como o fermentado de caju — conhecido popularmente como vinho de caju — e uma bebida alcoólica mista elaborada a partir da própria cajuína.

Segundo o produtor Eduardo Banzeiro, embora seja popularmente chamado de vinho, a legislação determina que a bebida seja comercializada como fermentado de caju, já que o termo "vinho" é reservado aos fermentados derivados da uva. 

Já a bebida mista, comercializada em duas versões, é produzida a partir de uma combinação da cajuína com outros ingredientes, formando um blend que confere sabor próprio ao produto. 

O processo utiliza frutos selecionados da própria produção da família e faz parte da estratégia de agregar valor ao caju, símbolo da região.

"Nossa intenção sempre foi inovar com os derivados do caju. O caju faz parte da história da nossa família e da identidade do Piauí. Queremos que quem venha ao estado leve essa experiência e conheça os sabores produzidos aqui", afirma.

Além dessas novidades, o empreendimento também produz refrigerante de caju zero açúcar, melado de caju e caju em calda, reforçando o potencial de aproveitamento integral da fruta.

Mais do que apresentar produtos diferentes, a III Feira da Agricultura Familiar aproxima consumidores das histórias de quem vive da terra. Em cada receita, bebida ou doce exposto nos estandes, há conhecimentos transmitidos entre gerações, processos artesanais preservados e famílias que transformam tradição em renda, fortalecendo a agricultura familiar e valorizando a identidade do Piauí.

A programação segue até este sábado (4), reunindo exposição e comercialização de produtos da agricultura familiar, além de oficinas, seminários, apresentações culturais e espaços voltados ao fortalecimento da produção rural no estado.

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