PF aponta que Vorcaro cobrou comparsa por atraso em repasses a Ciro Nogueira

Conversas entre Daniel e Felipe Vorcaro citam repasses de até R$ 500 mil ao senador
Redação

A Polícia Federal identificou mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro que, segundo os investigadores, indicam a existência de pagamentos mensais destinados ao senador Ciro Nogueira no contexto da Operação Compliance Zero.

De acordo com a investigação, Felipe Vorcaro questionava Daniel sobre a continuidade dos repasses relacionados à chamada “parceria BRGD/CNLF”, estrutura apontada pela PF como usada para movimentação financeira do suposto esquema.

A BRGD S.A., empresa sediada em Minas Gerais e administrada formalmente por Oscar Vorcaro, pai de Felipe, aparece na investigação como uma das fontes dos recursos que abasteceriam os pagamentos atribuídos ao núcleo ligado ao senador.

Em uma das mensagens obtidas pela Polícia Federal, Felipe afirma que recebeu informações sobre o aumento dos pagamentos vinculados à parceria, mas relata dificuldades financeiras diante de aportes destinados ao BTG. Na conversa, Daniel Vorcaro responde: “Resolve isso pra mim” e afirma que posteriormente faria reposição dos valores.

Meses depois, outra troca de mensagens mostra Daniel questionando se havia atraso nos pagamentos destinados a “Ciro”. Felipe então pergunta se os repasses continuariam em R$ 500 mil ou poderiam retornar ao valor de R$ 300 mil, montantes que, segundo a PF, seriam destinados ao senador.

Os investigadores sustentam que a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., empresa administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira, seria utilizada para operacionalizar parte da movimentação financeira investigada. Raimundo também foi alvo de medidas da operação.

A investigação aponta ainda que Daniel Vorcaro teria disponibilizado ao senador um imóvel de alto padrão sem cobrança, além de custear viagens internacionais, hospedagens de luxo, restaurantes e outras despesas pessoais atribuídas ao parlamentar e à acompanhante dele.

Entre os gastos citados pela PF estão estadias no Park Hyatt New York, despesas em restaurantes de elevado padrão e até a disponibilização de cartão voltado ao pagamento de despesas pessoais.

A operação desta quinta-feira (07/05) foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça também determinou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens investigados.

Em nota, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude” envolvendo a atuação do senador e declarou que ele está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. A defesa também criticou medidas investigativas baseadas em trocas de mensagens e afirmou que a legalidade dos atos deverá ser debatida nas Cortes Superiores.

Leia também