Morte após alta médica expõe crise e falhas em hospital de Teresina
Representante relata falhas administrativas e prescrição de medicamento vencidoA morte de Maurineide Santos, de 39 anos, reacendeu o debate sobre condutas no atendimento médico de hospitais públicos em Teresina. A paciente teve alta concedida no Hospital Alberto Neto, no bairro Dirceu II, na zona Sudeste de Teresina, apesar de sinais clínicos preocupantes, e acabou morrendo no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) dias depois, fato que levou familiares a registrar denúncia e a acionar a ouvidoria, a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado.
Mais do que um caso isolado, a situação expõe problemas que já vinham sendo sinalizados por servidores e entidades ligadas à saúde. Segundo Rodrigo Saraiva, membro do Conselho Municipal de Saúde, fiscalizações recentes na unidade questionada identificaram falhas que vão além de um único atendimento. “Fizemos fiscalizações no hospital e identificamos problemas estruturais e relatos constantes dos próprios funcionários sobre falhas no serviço prestado”, afirma. Ele cita, entre as irregularidades, relatos de prescrição e tentativa de aplicação de medicamentos vencidos, o que foi contestado pela equipe técnica na ocasião.
Saraiva afirma que o conselho recomendou medidas administrativas à Fundação Municipal de Saúde diante da gravidade das denúncias. “O Conselho recomendou que toda a equipe administrativa do hospital seja substituída, porque é inaceitável que ocorram situações como essa e que a sociedade não receba uma resposta efetiva. Acreditamos que a mudança na gestão é essencial para evitar que casos assim se repitam”, afirma.
Conforme o representante, o objetivo do conselho com as recomendações é justamente responder às demandas da comunidade e resgatar a confiança no sistema público de saúde. “A Fundação Municipal de Saúde e a Prefeitura precisam dar uma resposta clara para a sociedade. Não podemos deixar como está sabendo que há relatos internos e externos de falhas graves no atendimento”, reforça.
Até o momento, a administração municipal informou que o caso está sob investigação por órgãos competentes, incluindo o Conselho Regional de Medicina e a Justiça, e que documentos e prontuários foram entregues para análise oficial.