Nova NR-1 exige gestão de riscos psicossociais nas empresas a partir de maio
Atualização obriga inclusão de fatores como estresse, assédio e burnout no PGRA partir do dia 26 de maio de 2026, entra em vigor a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata das Disposições Gerais e do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A principal mudança trazida pela Portaria MTE nº 1.419/2024 é a obrigatoriedade de inclusão dos chamados riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Na prática, isso significa que fatores como assédio moral e sexual, estresse excessivo, síndrome de burnout, violência no ambiente de trabalho e outras situações que afetam a saúde mental dos trabalhadores deverão ser identificados, avaliados e prevenidos pelas empresas.
Para a advogada especialista em direito organizacional, Dra. Jessica Almeida, a atualização representa um avanço importante nas relações de trabalho e exige das organizações uma postura preventiva e estratégica. “Não se trata apenas de cumprir uma exigência legal, mas de reconhecer que a saúde mental dos colaboradores impacta diretamente a produtividade, o clima organizacional e a sustentabilidade do negócio. Empresas que se anteciparem sairão na frente”, destaca.
Segundo a especialista, muitas empresas ainda concentram seus esforços apenas nos riscos físicos, químicos ou ergonômicos, deixando em segundo plano questões emocionais e comportamentais que podem gerar adoecimento, afastamentos e passivos trabalhistas. “A nova NR-1 exige uma mudança de cultura. Será necessário olhar para o ambiente de trabalho de forma mais ampla, identificando práticas abusivas, sobrecarga, falhas de comunicação e fatores que contribuam para o sofrimento psíquico dos trabalhadores”, explica Dra. Jessica Almeida.
Planejamento é fundamental
A recomendação é que as empresas iniciem desde já um processo de adequação interna, com diagnóstico organizacional, revisão de políticas internas, atualização do PGR, treinamentos de lideranças e criação de canais seguros de escuta e denúncia. “O maior erro será deixar para agir na última hora. Adequação exige planejamento, envolvimento da gestão e apoio técnico especializado. Quanto antes a empresa começar, menores serão os riscos e maiores os ganhos institucionais”, ressalta a advogada.
Ela também reforça que a atuação preventiva reduz conflitos internos e fortalece a imagem institucional da empresa perante colaboradores, clientes e mercado. “Ambientes saudáveis retêm talentos, aumentam engajamento e reduzem custos com afastamentos e judicialização. Cuidar da saúde mental no trabalho deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade”, conclui.