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Caiado critica Flávio por tarifas dos EUA e diz que tema não pode esperar eleição

Governador de Goiás também atacou proposta do governo para o fim da escala 6x1
Redação

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, criticou nesta terça-feira (8) o posicionamento do senador Flávio Bolsonaro sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Durante evento promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília, Caiado afirmou que a política externa não pode ser conduzida sob a lógica da disputa eleitoral. 

Segundo o governador, a manifestação de Flávio ao defender que o tema fosse tratado após as eleições presidenciais foi equivocada.

"Com todo o respeito, mas a atitude em relação ao tarifaço e, agora, à tarifação sobre a Seção 301, tem sido uma atitude infeliz por parte do pré-candidato Flávio Bolsonaro."

Para Caiado, um candidato à Presidência deve colocar os interesses do país acima de objetivos eleitorais.

"Esse assunto não deve ser tratado apenas no edifício da campanha eleitoral. O que nós precisamos é ter um governante que pense e defenda o Brasil, e não sua posição pessoal e seu interesse pessoal."

O governador afirmou ainda que adiar a discussão para evitar impactos eleitorais significaria repetir a estratégia que atribui ao presidente Lula.

"Nós estaríamos fazendo o mesmo que o Lula. Estaríamos convalidando o populismo irresponsável."

Ao tratar da política comercial entre Brasil e Estados Unidos, Caiado também defendeu maior protagonismo do Itamaraty e criticou a condução da política externa.

"O Itamaraty precisa deixar o lado ideológico de lado e pensar exatamente no Estado brasileiro, e não no governo brasileiro."

Durante o evento, o governador também criticou a proposta do governo federal para reduzir a jornada de trabalho e alterar o modelo da escala 6x1. Segundo ele, o Executivo pode encaminhar projetos ao Congresso, mas o prazo previsto para a implementação inviabiliza a adaptação do setor produtivo.

"Você quer uma mudança, mas ela tem que ser aplicada em dois meses. Qualquer cidadão está vendo que isso é uma irresponsabilidade."

Na avaliação de Caiado, empresários precisam de tempo para reorganizar suas operações e evitar prejuízos.

"A CNC está dizendo: nos deem um prazo para que possamos sobreviver e não tenhamos que fechar empresas ou reduzir nossa capacidade produtiva."

O governador afirmou que a proposta foi apresentada em período próximo às eleições e tem finalidade eleitoral.

"Não se importa se vai quebrar, é secundário. Ele quer ganhar eleição. Ponto final."

Segundo Caiado, o formato da proposta também dificulta o debate no Congresso.

"Se você votar contra, dizem que você é contra o trabalhador. Assim não existe debate."

Ao abordar o cenário econômico, Caiado comparou o governo Lula ao segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

"O Lula está fazendo com o Brasil o pior que a Dilma fez."

Em outro momento, voltou à comparação.

"Esse cenário sinalizado para 2027 nós já assistimos. Quem não lembra da Dilma II?"

O governador citou desemprego, inflação, juros elevados e dificuldades enfrentadas por empresas ao defender a comparação.

Na área da educação, Caiado afirmou que o Brasil investe recursos elevados no setor sem alcançar melhora proporcional na qualidade do ensino. Segundo ele, é necessário ampliar os mecanismos de avaliação da formação profissional.

Ao citar a experiência em Goiás, disse ter impedido a abertura de novos cursos de medicina e defendeu exames de proficiência para os formandos.

"Esse é o modelo que eu chamo das Bets institucionalizadas."

Sobre segurança pública, o governador afirmou que o narcotráfico ampliou sua influência em diferentes áreas.

"O narcotráfico entrou na política, entrou no mercado formal... entrou em todos os níveis do poder."

Ao comentar a situação em Goiás, declarou:

"Em Goiás, bandido não se cria."

Caiado também fez críticas ao PT ao tratar da eleição presidencial de 2026. Segundo ele, a disputa deverá considerar a conduta moral dos candidatos e o enfrentamento à corrupção.

"O grande divisor de águas será a conduta moral e o envolvimento em corrupção."

Em seguida, afirmou:

"Tudo quanto é corrupção, você tem um DNA do PT."

O governador também atribuiu ao governo federal um cenário de desordem institucional.

"Há uma desordem institucional no Brasil, com total conivência pela ausência de estatura moral de um presidente da República."

Ao encerrar a participação, Caiado voltou a defender que a eleição de 2026 deverá discutir responsabilidade fiscal, condução da economia e autoridade para governar.

"Essa eleição não será apenas para escolher um presidente da República. Será para saber quem tem autoridade moral para conduzir o país."