CRC-PI capacita contadores para prestação de contas nas eleições de 2026
Evento orienta profissionais sobre regras eleitorais, gastos e transparência nas campanhasCom a proximidade do período eleitoral de 2026, o Conselho Regional de Contabilidade do Piauí (CRC-PI) promoveu uma capacitação voltada para profissionais da contabilidade que irão atuar na prestação de contas de campanhas. O encontro reuniu especialistas para orientar sobre as principais regras de arrecadação, aplicação de recursos e transparência no uso das verbas eleitorais.
A atividade foi realizada na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) e também contou com transmissão online pelo canal do CRC-PI. Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade, Guilherme Guimarães, a preparação dos profissionais precisa começar antes do período oficial de campanha, já que a organização financeira das candidaturas exige planejamento.
"O momento da contabilidade eleitoral já começou. Logo teremos as convenções partidárias e precisamos organizar as finanças das campanhas, trazendo planejamento e orientações para as equipes jurídicas, de mobilização e de marketing, porque todas essas ações refletem nas finanças e precisam ser prestadas à Justiça Eleitoral dentro dos prazos", explica.
O representante do CRC destacou que o profissional da contabilidade tem papel fundamental na ligação entre a movimentação financeira das campanhas e a transparência exigida pelos órgãos de fiscalização. Em 2026, a previsão é de que bilhões de reais sejam movimentados durante o período eleitoral. "O profissional da contabilidade é o vetor entre as finanças da campanha e a transparência do uso dos recursos, principalmente dos recursos públicos. Junto com advogados, equipes jurídicas e os Tribunais Regionais Eleitorais, ele ajuda a garantir que essas informações sejam analisadas corretamente", afirma.
Durante a capacitação, o Conselho reforçou orientações sobre boas práticas de compliance eleitoral e os cuidados necessários para evitar irregularidades durante a arrecadação e aplicação dos recursos.
Segundo Guilherme Guimarães, entre os principais problemas identificados em prestações de contas estão o recebimento de recursos de fontes proibidas e a falta de identificação da origem dos valores. "Um dos pontos de maior dificuldade está na arrecadação de recursos de fontes vedadas. Pessoas jurídicas, recursos estrangeiros e permissionários de serviço público não podem fazer doações. Também é preciso atenção aos recursos de origem não identificada, porque todo ingresso financeiro precisa ter CPF identificado e estar registrado de forma rastreável", alerta.
O vice-presidente do CRC-PI também destacou que a comprovação dos gastos eleitorais vai além da apresentação de notas fiscais e contratos. A legislação exige que seja demonstrado que o recurso foi utilizado efetivamente para a finalidade informada. "Não basta ter a nota fiscal ou o contrato. É preciso comprovar a efetividade do gasto, mostrar que o material foi realmente produzido, distribuído e utilizado na campanha, assim como comprovar despesas com transporte, mobilização e pessoal de campo", ressalta.
Em relação aos prazos, a prestação de contas eleitoral possui etapas específicas definidas pela Justiça Eleitoral. A primeira delas ocorre após a entrada de recursos nas contas de campanha, quando as informações devem ser enviadas em até 72 horas. "Quando entra recurso nas contas de campanha, a contabilidade tem 72 horas para informar à Justiça Eleitoral. Uma novidade deste ano é o sistema online, em que essa informação já fica conectada ao portal da transparência da Justiça Eleitoral", informa.
Além do envio imediato das movimentações financeiras, os candidatos também deverão apresentar a prestação de contas parcial entre os dias 9 e 13 de setembro e a prestação final até 3 de novembro, 30 dias após o primeiro turno das eleições.
Após a análise da Justiça Eleitoral, as contas aprovadas permitem a continuidade do processo eleitoral até a diplomação dos eleitos, prevista para dezembro. O CRC-PI reforça que a atualização constante dos profissionais é essencial, já que as normas eleitorais passam por mudanças a cada pleito.