Mendonça autoriza investigação de Vorcaro para filme sobre Bolsonaro; Dark Horse
Ele concede aval à PF para examinar repasses ao projeto cinematográfico ligado à família do políticoO magistrado André Mendonça, integrante da Suprema Corte, liberou a Polícia Federal para averiguar a destinação dos montantes financeiros aplicados no longa-metragem Dark Horse, obra cinematográfica focada na jornada política do antigo chefe de Estado Jair Bolsonaro.
A determinação judicial foi chancelada na quarta-feira (22). Conforme agentes federais relataram, o procedimento investigativo será aberto formalmente nesta quinta-feira (23) por meio da Divisão de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção.
O foco da apuração é checar os recursos transferidos pelo antigo banqueiro Daniel Vorcaro com o intuito de subsidiar a rodagem do longa, atendendo a um pedido formulado pelo parlamentar Flávio Bolsonaro. Os peritos pretendem constatar se a totalidade dos valores pagos coincide com o que foi declarado em comprovantes fiscais. A Procuradoria-Geral da República emitiu parecer favorável à apuração.
Conforme o levantamento das autoridades, o empresário teria direcionado aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto após apelo do senador. A negociação teria contado com a ponte do profissional de publicidade Thiago Miranda.
Mensagens sustentam o procedimento
Registros de áudios e textos publicados pelo portal Intercept Brasil expõem tratativas diretas entre o parlamentar e o empresário no que tange ao investimento na película. Um dos contatos ocorreu em 16 de novembro de 2025, na véspera da primeira ação ostensiva que deteve o investidor na Operação Compliance Zero.
Em outra gravação, registrada em 8 de setembro de 2025, o congressista manifestava apreensão diante de eventuais pendências financeiras no cronograma do filme.
Manifestação da defesa
Diante da repercussão dos diálogos, a assessoria do congressista divulgou comunicado salientando que o teor das conversas restringia-se estritamente à captação de recursos privados no mercado.
Ele declarou ser urgente a criação de uma CPI para examinar as operações do Banco Master, alegando necessidade de diferenciar condutas lícitas de ilícitas, e enfatizou que se tratou apenas de um descendente buscando suporte financeiro corporativo para retratar a vida de seu genitor, sem qualquer utilização de cofres públicos ou mecanismos federais de incentivo cultural.