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Tarifaço: Empresários temem que fala de Flávio atrapalhe audiência dos EUA

Piauí é o terceiro estado do país em perdas percentuais com o tarifaço americano

Empresários brasileiros inscritos na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), marcada para esta segunda (06) e terça-feira (07), demonstram preocupação com a participação de Flávio Bolsonaro (PL) e de Paulo Figueiredo no encontro. A avaliação é de que declarações dos dois podem dificultar as negociações para reverter as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. A informação foi divulgada pela coluna Painel, da Folha de São Paulo.

Mais de 80 interessados estão inscritos para participar da audiência, entre eles representantes de entidades como a Associação Brasileira da Indústria do Arroz, o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a União Nacional do Etanol de Milho e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar.

A apreensão do setor privado tem relação direta com o formato do encontro. Representantes do USTR podem fazer perguntas diretas aos participantes, sem aviso prévio sobre os temas ou as respostas esperadas. Mesmo com a expectativa de que Flávio Bolsonaro defenda o fim das tarifas durante sua fala, empresários temem que o ambiente político e o calendário eleitoral no Brasil tornem o debate mais sensível. A palavra final sobre a política tarifária cabe ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda que o USTR produza recomendações técnicas.

A movimentação de Flávio Bolsonaro em Washington vai além da participação na audiência. Um dia antes de embarcar para os Estados Unidos, o senador enviou ao governo americano um documento com propostas comerciais e sugestões de ajuste em pontos questionados pela investigação do USTR.
 

No texto, Flávio defende o Pix como um dos legados do governo Jair Bolsonaro e rebate a avaliação de autoridades americanas de que o sistema prejudicaria empresas dos Estados Unidos. Como compromisso, afirma que o Pix não será integrado a sistemas internacionais de pagamento considerados "não ocidentais" e propõe reduzir a carga regulatória e tributária sobre outros meios de pagamento, como cartões de crédito, para ampliar a concorrência.

Sobre política comercial, o senador defende maior flexibilização das regras do Mercosul para viabilizar acordos bilaterais diretos entre Brasil e Estados Unidos, citando como referência o modelo econômico adotado pelo governo do presidente argentino Javier Milei.

O documento também trata da atuação do Judiciário sobre plataformas digitais. Flávio critica decisões de remoção de conteúdo e bloqueio de perfis e defende que mudanças nesse cenário dependem de uma nova composição política no Senado, o que poderia destravar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal hoje parados na Casa. O texto pede ainda que eventuais medidas dos EUA mirem autoridades específicas, e não produtos brasileiros.

Ao tratar de corrupção, o senador cita Mensalão, Lava Jato, fraudes no INSS e o caso Banco Master como episódios ligados a governos do PT, e sustenta que a gestão de Jair Bolsonaro não teve esquemas de corrupção na mesma proporção.

Ao desembarcar em Washington, Flávio Bolsonaro declarou:

"Enquanto o atual presidente manda o dedo do meio para o povo brasileiro, eu vim à Washington defender os brasileiros."

A investigação do USTR contra o Brasil abrange práticas comerciais ligadas ao Pix, ao Mercosul, à propriedade intelectual, ao combate à corrupção, ao mercado de etanol e à regulação de plataformas digitais.

Durante a audiência, representantes da indústria brasileira vão argumentar que as tarifas não resolvem disputas comerciais e podem pressionar a inflação americana, já que o encarecimento de produtos importados do Brasil eleva custos para empresas dos Estados Unidos que dependem desses insumos. Como alternativa, defenderão negociações em áreas como etanol, minerais críticos, segurança energética e propriedade intelectual.

Paralelamente à audiência, empresários brasileiros seguem articulando bastidores para reduzir tensões e abrir espaço à revisão das tarifas.

O governo brasileiro também apresentou manifestação própria ao USTR, sustentando que novas tarifas trariam impactos negativos tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos, e mantém canais diplomáticos abertos com a administração americana.