Itamaraty chama falas de Rubio de 'inaceitáveis' e 'ofensivas'
Mauro Vieira reage a declarações do secretário de Estado dos EUA após anúncio de novas tarifasO ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre o Brasil são "inaceitáveis" e "ofensivas ao povo brasileiro". O chanceler também acusou o integrante do governo Donald Trump de atacar o presidente Lula de forma "grosseira e arrogante".
"As declarações do secretário de Estado Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil, são inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro", declarou Vieira durante entrevista no Palácio Itamaraty.
Segundo o ministro, as críticas ocorreram após os Estados Unidos oficializarem a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor em 22 de julho e decorre de investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Vieira afirmou que a sobretaxa não possui justificativa comercial, classificou sua motivação como política e voltou a dizer que a iniciativa representa uma tentativa de interferência dos Estados Unidos no Judiciário brasileiro.
"As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros", afirmou.
O chanceler também rebateu as alegações apresentadas pelo governo americano sobre temas como Pix e desmatamento, afirmando que elas não têm "lastro" na realidade. Segundo ele, o governo brasileiro buscou negociar desde o início da disputa comercial.
"Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico. Somente com Rubio e Greer foram 11 contatos. O Brasil negocia desde antes de 2025, desde o tarifaço original", disse.
Ao comentar as declarações do secretário de Estado americano, Vieira afirmou: "Rubio ataca de forma grosseira e arrogante um chefe de Estado de um país amigo. Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações".
Antes da resposta do governo brasileiro, Marco Rubio havia afirmado que as políticas econômicas do governo Lula prejudicavam americanos e brasileiros e acusou o presidente de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação da nova tarifa acompanhada de uma lista de produtos isentos. O relatório da investigação cita temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal entre as justificativas para a medida.