Conecta Economia

Crise global do petróleo já pesa no bolso do consumidor brasileiro

No Brasil, mais de 40% de energia consumida vem do Petróleo ou do gás

A guerra no Oriente Médio envolvendo EUA/Israel e Irã  está provocando um choque no mercado de petróleo, impulsionando o barril para acima de US$ 100., o que está resultando, aqui no Brasil,  aumentos imediatos, com o diesel subindo quase 24% e a gasolina apresentando altas significativas nas bombas., trazendo, portanto, decisões sobre juros, elevação dos custos dos transportes, encarecendo os alimentos e  pressionado a inflação.  Trata-se de um conflito com consequências enormes para o mundo inteiro. No Brasil, mais de 40% de energia consumida vem do Petróleo ou do gás e,  71% da produção nacional é transportada por caminhão, o que provoca um aumento dos preços e serviços.

Nesta última sexta-feira ( 27 de marco )  a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostrou que o litro do diesel acumula alta de quase 24% nos postos desde o início do conflito, passando de R$ 6,03 para R$ 7,45, em média., enquanto a  gasolina também já pesa mais no bolso, com alta de 8% no mesmo período. Passou de R$ 6,28 para R$ 6,78 o litro, em média.

Durante a semana, os EUA deram sinais de que o conflito poderia arrefecer, indicando a possibilidade de um cessar-fogo. Mas Israel afirmou que vai ampliar os ataques ao Irã e bombardeou um centro de produção de mísseis da Marinha iraniana e uma usina de urânio. Resultado: o barril do petróleo do tipo Brent, matéria-prima dos combustíveis, voltou a encostar nos US$ 120. Analistas alertam que, se a guerra continuar e os problemas na oferta global da commodity se agravarem, a tendência é de uma alta ainda maior.

Algo precisa ser feito pelo Governo brasileiro   para evitar que esse salto nos preços dos combustíveis desencadeie uma crise inflacionária, o que prejudicará toda a população brasileira,  o que aumenta o  endividamento das famílias  que está   em ritmo crescente  nos últimos anos.

Entenda, portanto, a elevação  dos combustíveis :

Ressalte-se que existe uma defasagem do preço do diesel em relação ao mercado internacional. O diesel produzido no Brasil fica mais barato que no exterior, enquanto a importação se torna mais cara. Segundo a  Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) os preços praticados nas refinarias da Petrobras passaram a ficar bem abaixo dos valores do mercado internacional. No caso do diesel, a diferença média chegou a cerca de 65% em 24 de março — o equivalente a R$ 2,34 por litro abaixo da paridade de importação. Enquanto que na gasolina, a defasagem era de cerca de 45%, ou R$ 1,13 por litro.

Sendo assim, com os preços internos mais baixos que os praticados no exterior, importadores privados deixam de comprar e reduzem sua atuação no mercado.

Hoje, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado. Com menos empresas trazendo o produto do exterior, o mercado passa a depender mais do fornecimento da Petrobras. A partir daí, surgem dois riscos: falta de produto e por consequência aumento de preços .

Para suprir a falta de combustíveis em determinadas regiões do país, a Petrobras anunciou um aumento de oferta e realizou leilões para vender parte de sua produção. De acordo com análise do Banco do Brasil, nesses leilões os combustíveis chegaram a ser vendidos por valores bem acima do preço de referência. Em algumas áreas do Norte e do Nordeste, essa diferença chegou a até R$ 2,65 por litro., onde há em muitos casos    indicam um descompasso entre os preços praticados no Brasil e as condições do mercado internacional.

Os Economistas avaliam que o comportamento do petróleo, pressionado pelo conflito geopolítico, passou a ocupar papel central nas projeções para a economia, onde a alta da commodity pode influenciar não apenas a inflação, mas também as decisões sobre a taxa básica de juros no Brasil, a Selic.,

Por fim, os efeitos da crise já se espalham por diversos setores, como o setor industrial, em especial por conta dos gás, uma vez que o gás acompanha o petróleo. No agronegócio  é  afetado, uma vez que o campo depende do diesel para mover tratores e caminhões, bem como nos fertilizantes,  uma vez que, 85 % vem dos países vizinhos  ao Irã  foram afetados pelo bloqueio no estreito de Ormuz.

Vamos aguardar.  Há muitos fatores externos que implicam na cadeia global, onde os custos acabam repassado, mais cedo ou mais tarde, ao consumidor.

Valmir Martins Falcão Sobrinho

Economista e Advogado

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