Corredor reage à FPI, nega acordo sobre permit e chama anúncio de 'maior mentira'
Resolução nº 01/2026 estabelece cobrança para corridas de rua no PiauíA Federação Piauiense de Atletismo (FPI) oficializou novos valores para a cobrança do permit — autorização oficial exigida para a realização de corridas de rua no Piauí. As mudanças estão previstas na Resolução nº 01/2026 e definem a taxa de R$ 1,50 por atleta em eventos realizados na capital, Teresina, e R$ 1,00 por atleta nas provas realizadas no interior do estado, desde que o evento tenha até 2.500 inscritos.
Pelo documento, quando o quantitativo ultrapassar 2.500 atletas, deixa de existir a cobrança por atleta e passa a valer um valor fixo por percurso, no total de R$ 4.500 por percurso. A FPI também define como “percurso” cada prova distinta dentro de um mesmo evento, como distâncias diferentes, largadas separadas ou categorias específicas.
Segundo a federação, a atualização do modelo foi decidida após diálogo com organizadores, assessorias esportivas e representantes da corrida de rua no estado. A entidade afirma que a mudança busca tornar a cobrança mais justa e proporcional, considerando o número de participantes e a realidade das corridas no Piauí.
Apesar da justificativa, organizadores reagiram de forma dura às declarações da federação, principalmente após a FPI mencionar um suposto acordo para a fixação do valor de R$ 1,50 por atleta. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Daniel França, da @zerooitomeia, representante da categoria, negou qualquer consenso e classificou a afirmação como “a maior mentira”, afirmando que não houve decisão formal construída com os organizadores nos moldes apresentados.
A divergência expõe o clima de tensão entre a FPI e parte dos responsáveis por eventos esportivos no estado, que cobram mais transparência e participação nas definições que impactam diretamente o calendário de provas e os custos de organização.
A mudança ocorre após uma forte polêmica registrada em 2025, quando a cobrança do permit foi alvo de críticas por parte de organizadores e assessorias. Na época, os valores eram fixos por faixa de público, com cobrança de R$ 750 para provas com até 300 atletas e de R$ 4.500 para eventos com mais de 2 mil corredores.
O modelo anterior foi apontado como um fator que poderia encarecer as inscrições, já que o custo seria repassado aos atletas. O impasse chegou a provocar mobilização entre organizadores, com anúncio da criação da Federação Piauiense de Corrida de Rua como forma de representação da modalidade.
Além disso, um grupo protocolou no Ministério Público um pedido de verificação da legalidade da cobrança. Em resposta, a FPI afirmou que o permit é legal, regulamentado e praticado em todo o Brasil, seguindo normas do atletismo nacional.