Piauí tem janeiro mais crítico da história em focos de incêndio
Foram 251 focos de incêndio em apenas um mês, quase o dobro do registrado em janeiro do ano passado
O Piauí acendeu um sinal de alerta logo no início de 2026. Mesmo com volumes expressivos de chuva em várias regiões do estado, o mês de janeiro fechou com o maior número de focos de incêndio já registrado para o período desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998.
Foram 251 focos de incêndio em apenas um mês, quase o dobro do registrado em janeiro do ano passado e um recorde absoluto. Até então, o pior janeiro havia sido há 20 anos (2006), com 176 ocorrências. O dado é ainda mais preocupante porque rompe a lógica climática: janeiro é tradicionalmente um mês de maior umidade, quando o fogo deveria recuar.
Os números revelam que o problema das queimadas no estado não pode mais ser explicado apenas pela estiagem. O uso ilegal do fogo, a pressão sobre áreas naturais e a degradação acumulada da vegetação criam um cenário em que o incêndio persiste até mesmo em períodos chuvosos. É um retrato claro de desequilíbrio ambiental.
Diante desse cenário crítico, o Governo do Estado está reforçando as ações de enfrentamento às queimadas ao longo de 2026, ampliando a estrutura de fiscalização, prevenção e resposta rápida aos incêndios florestais. O objetivo é agir de forma mais intensa e contínua, especialmente nos períodos de maior risco, integrando monitoramento por satélite, ações em campo e trabalho educativo junto às comunidades.
Os dados de janeiro deixam um recado inequívoco: o fogo não espera a seca chegar. E o enfrentamento às queimadas precisa ser permanente, articulado e tratado como prioridade ambiental e de proteção à vida.