Piauí bate recorde histórico e retira mais de duas mil armas de fogo das ruas
O dado é do Ministério da Justiça que aponta uma média de uma arma apreendida a cada 4hPela primeira vez na história, as forças de segurança pública do Piauí conseguiram retirar de circulação mais de duas mil armas de fogo em apenas um ano. Em 2025, foram 2.051 armas apreendidas, segundo dados oficiais do Painel do Sinesp, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O número impressiona não apenas pelo volume, mas pelo ritmo: é como se uma arma fosse apreendida a cada quatro horas, todos os dias, ao longo de um ano inteiro. Um retrato contundente da presença das armas na vida cotidiana, e, ao mesmo tempo, da capacidade de resposta do Estado.
O resultado representa um crescimento de 11,7% em relação a 2024, consolidando o maior patamar já registrado no Piauí. Por trás da estatística, estão operações integradas, abordagens rotineiras, investigações silenciosas e o trabalho diário de policiais civis, militares e federais espalhados pelo estado.
Entre as armas retiradas das ruas, os revólveres lideram a lista, mantendo o padrão histórico de armamento mais comum em crimes. Logo depois aparecem as armas artesanais, que somaram 587 apreensões, cerca de um quarto de todo o arsenal recolhido. Um dado que revela a persistência da fabricação clandestina, muitas vezes ligada a conflitos locais e à criminalidade de baixo custo, mas alto poder letal.
Chamam atenção também os armamentos de maior potencial ofensivo: quatro fuzis, típicos de organizações criminosas mais estruturadas, e 308 pistolas, armas de uso restrito que circulam, em grande parte, por rotas ilegais interestaduais.
Cada arma apreendida representa menos uma chance de morte, menos um disparo possível em conflitos banais, menos uma tragédia anunciada. O recorde alcançado em 2025 não encerra o problema, mas expõe dois lados de uma mesma realidade: a ampla circulação de armas e a intensificação do enfrentamento a esse cenário.