Piauí ultrapassa 3 milhões de linhas, mas ainda não tem um celular por habitante
No extremo superior está Olho d’Água do Piauí que tem segunda maior densidade do país
O Piauí fechou 2025 com mais de três milhões de linhas de telefonia móvel ativas espalhadas pelo estado. O número impressiona à primeira vista, mas, quando a lente se aproxima, revela um retrato cheio de contrastes.
Mesmo com esse volume de celulares em funcionamento, o Piauí, ao lado do Maranhão, segue como um dos únicos estados do país que ainda não atingiram a média de um aparelho por pessoa. A densidade estadual é de 82 linhas para cada 100 habitantes, um indicador que ajuda a entender como o acesso à tecnologia ainda é desigual.
Enquanto em algumas regiões o celular virou extensão do corpo, em outras ele ainda é exceção.
O contraste aparece com força no mapa das cidades. No extremo superior está Olho d’Água do Piauí, um município pequeno que ocupa uma posição gigante no ranking nacional: é a segunda maior densidade de telefonia móvel do Brasil, com 388 linhas para cada 100 habitantes. Na prática, quase quatro celulares por pessoa. A cidade só fica atrás de Iomerê, em Santa Catarina, onde a densidade chega a 403/100 habitantes.
Na outra ponta da balança está São Luís do Piauí, que registra a menor densidade do estado: apenas 8 linhas para cada 100 habitantes. Um número que expõe mais do que ausência de aparelhos, revela dificuldades de renda, infraestrutura e acesso a serviços básicos de comunicação.
Nem mesmo a capital acompanha os líderes. Teresina aparece apenas na oitava posição no ranking estadual, com densidade de 108 linhas para cada 100 habitantes. Um índice modesto para uma capital, que concentra serviços, comércio e população.
Os dados mostram que o desafio do Piauí não é apenas ampliar o número de linhas, mas democratizar o acesso à conectividade. Em um mundo cada vez mais digital, onde trabalho, educação, saúde e cidadania passam pelo celular, a diferença entre ter e não ter sinal pode definir oportunidades, ou a falta delas.