Saúde mental no trabalho vira exigência após recorde de afastamentos no Brasil
A nova exigência, determinada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, busca reduzir casosCom o maior número de afastamentos por transtornos mentais da última década, a saúde mental no ambiente de trabalho se torna uma prioridade estratégica para empresas brasileiras. Em 2024, quase 473 mil trabalhadores foram licenciados por questões psicológicas, um aumento de 67% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Previdência Social. No Piauí, mais de 3,2 mil profissionais precisaram se afastar, sendo a ansiedade a principal causa.
Diante desse cenário, a partir de 26 de maio, todas as empresas do país serão obrigadas a identificar riscos psicossociais e adotar medidas para proteger a saúde mental dos funcionários. A nova exigência, determinada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, busca reduzir casos de adoecimento relacionados à sobrecarga, assédio e ambientes tóxicos.
- Receba Notícias do Conecta Piauí pelo Whatsapp
- Confira tabelas e resultados dos principais campeonatos.

“A saúde mental deixará de ser tratada como algo subjetivo e passará a ser uma responsabilidade formal das empresas”, afirma Ana Carolina Peuker, especialista na área e membro do comitê consultivo do Movimento Mente Em Foco, da ONU.
A principal mudança é que as empresas precisarão incluir a avaliação e o gerenciamento dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). “Elas devem contar com assessoria especializada em saúde e medicina ocupacional para identificar esses riscos”, explica Andrea Massei, especialista em Direito do Trabalho.
A NR-1, que regulamenta a nova exigência, determina que esse monitoramento seja contínuo, com avaliações periódicas. Entre os fatores analisados estão carga de trabalho, pressão por metas e riscos de assédio moral. Grandes empresas e startups já vinham discutindo o tema desde a pandemia, mas agora a exigência se torna oficial.
No Piauí, os principais motivos de afastamento incluem ansiedade (910 casos), depressão (825), depressão recorrente (533), transtorno bipolar (395) e esquizofrenia (206). Outros fatores envolvem dependência química (112 casos de vício em drogas e 83 em álcool) e transtornos relacionados ao estresse grave (88).
Com a nova legislação, a expectativa é que as empresas passem a atuar de forma mais ativa na prevenção de doenças mentais no ambiente de trabalho.