Médico alerta para riscos do uso de Monjauro contrabandeada no Brasil

Dr. Caio Sales orienta que tratamento para emagrecimento deve ter acompanhamento médico

O aumento da procura por medicamentos para emagrecimento tem impulsionado um mercado clandestino de substâncias contrabandeadas, principalmente da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. O médico especialista em medicina esportiva, emagrecimento e performance, Dr. Caio Sales, faz um alerta sobre os riscos do uso dessas versões irregulares e reforça que o tratamento deve ser realizado apenas com acompanhamento médico.

Segundo o especialista, a tirzepatida é a molécula responsável pelos resultados expressivos de perda de peso associados ao Mounjaro, podendo proporcionar uma redução de até 25 quilos em um ano e meio de tratamento. No entanto, ele explica que a patente do medicamento não existe no Paraguai, o que permitiu a fabricação de versões que estão sendo comercializadas ilegalmente no Brasil.

"O grande problema é que essas substâncias entram no país sem qualquer aprovação da Anvisa. Não há garantia sobre a concentração correta do medicamento, nem sobre a ausência de impurezas que podem causar infecções. Além disso, o transporte precisa ocorrer em temperatura adequada para preservar a eficácia da medicação", explica.

Dr. Caio Sales destaca que o uso de produtos contrabandeados pode trazer riscos imediatos à saúde, como contaminações e reações provocadas por dosagens desconhecidas. Além disso, o consumo sem orientação médica pode agravar problemas nutricionais já existentes.

"O emagrecimento acelerado pode intensificar deficiências nutricionais. Já estamos observando pacientes com deficiência de vitamina B1, a tiamina, que pode provocar dificuldades para caminhar, alterações neurológicas e até inflamação no cérebro", alerta.

O médico ressalta que qualquer tratamento medicamentoso para perda de peso exige avaliação clínica, acompanhamento periódico e reposição de vitaminas quando necessário, reduzindo o risco de efeitos colaterais.

Sobre a forma correta de adquirir o Mounjaro, Dr. Caio explica que atualmente existem apenas duas opções legais no Brasil: a compra do medicamento em farmácias autorizadas ou por meio de farmácias de manipulação que fornecem a substância exclusivamente para clínicas, e não diretamente ao consumidor.

Ele lembra ainda que a tirzepatida não é a única alternativa disponível para quem deseja emagrecer. Existem outros medicamentos aprovados, com diferentes custos e indicações, que podem ser prescritos conforme a necessidade de cada paciente.

"A pessoa não deve acreditar que recorrer a medicamentos contrabandeados é a única forma de emagrecer. Existem outras opções seguras e regulamentadas. Se o produto está sendo adquirido por outro meio, certamente não é uma forma legal e pode representar um sério risco à saúde", conclui o especialista.

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