Projetos da UESPI fortalecem agricultura familiar no Piauí através da agroecologia

Iniciativas incentivam bioinsumos, agroecologia e fortalecem a agricultura familiar no estado
Redação

Promover uma produção agrícola mais sustentável, reduzir a dependência de fertilizantes químicos e levar inovação às comunidades rurais são alguns dos objetivos das ações desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Produção Orgânica (NEA Cajuí), da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), campus de Parnaíba. Com projetos financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o núcleo atua na implantação de tecnologias sociais, na formação de estudantes e no fortalecimento da agricultura familiar em diferentes regiões do estado.

Entre as iniciativas está o projeto Quintais de Roçado Sem Fogo, que teve suas atividades renovadas para o período de 2025 a 2028. A proposta prevê a implantação de unidades demonstrativas baseadas em sistemas agroflorestais, estimulando formas de produção que dispensam o uso do fogo e contribuem para a conservação do solo, da vegetação e dos recursos naturais. Além disso, um segundo projeto, também financiado pelo CNPq, amplia as ações do núcleo com a formação de bolsistas e a implantação de novas unidades em parceria com a Embrapa, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), o Instituto Federal e outras instituições.

As ações do NEA Cajuí também contemplam o programa Arroz da Gente, desenvolvido no município de Buriti dos Lopes. A iniciativa busca tornar a produção de arroz mais sustentável por meio da redução do uso de fertilizantes químicos e herbicidas, além da adoção de bioinsumos produzidos a partir de resíduos encontrados na própria região. O projeto ainda utiliza uma máquina adaptada para a produção de adubo orgânico peletizado, oferecendo aos agricultores uma alternativa de menor custo e maior sustentabilidade para o manejo das lavouras.

Coordenador do NEA Cajuí e professor do curso de Agronomia da UESPI, Valdinar Aires destaca que as iniciativas foram construídas em diálogo com as comunidades, buscando desenvolver soluções compatíveis com a realidade dos produtores rurais e incentivar práticas agrícolas que conciliem produtividade, preservação ambiental e autonomia no campo.

"A proposta é mostrar que existe uma forma mais sustentável de produzir. Estamos implantando unidades demonstrativas, desenvolvendo bioinsumos e trabalhando junto aos agricultores para reduzir custos de produção, preservar o solo e diminuir a dependência de fertilizantes químicos. É uma tecnologia que pode ser adaptada à realidade local e contribuir para fortalecer a agricultura familiar", afirma.

Além dos impactos nas comunidades atendidas, os projetos também fortalecem a formação acadêmica dos estudantes envolvidos. Bolsista do NEA Cajuí, o acadêmico de Agronomia Leonardo Rodrigues da Silva ressalta que a vivência permite compreender que o conhecimento científico e os saberes das comunidades caminham juntos na construção de soluções para o campo.

"Além de levarmos a universidade para as comunidades, também aprendemos com os saberes locais. O diálogo mostra que é possível produzir de forma mais sustentável, respeitando o solo, a natureza e as tradições. É a união do conhecimento científico com o conhecimento popular", destaca.

Para a estudante de Agronomia Thayane, a participação no projeto também representa uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. 

"Quando chegamos às comunidades, o mais importante é escutar, acolher e compreender as necessidades das pessoas. A partir desse diálogo, conseguimos construir ações que beneficiam toda a comunidade. É uma experiência única, porque aprendemos conhecimentos que não adquirimos apenas em sala de aula", conclui.

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