Etnoclimatologia preserva tradição dos profetas da chuva no território dos Cocais
O climatologista Werton Costa esteve reunido com os agricultores para entender os saberes naturaisA troca de experiências com profetas e profetizas da chuva do território dos Cocais evidenciou a força dos saberes tradicionais como instrumento de leitura ambiental e preservação cultural no semiárido. A prática da etnoclimatologia, baseada na observação da natureza e dos sinais celestes, segue viva e atua como referência empírica para a compreensão das mudanças climáticas.
Segundo o diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, esse conhecimento nasce da relação histórica do povo nordestino com o campo, já que “nós somos um povo conectado umbilicalmente a terra”, realidade presente tanto entre agricultores quanto entre aqueles que convivem diretamente com a rotina da lavoura.
Werton ressalta que as profecias de chuva se inserem no conjunto de bens que compõem os patrimônios culturais do estado. Para ele, esses saberes tradicionais são “extremamente importantes os nossos patrimônios culturais, tanto materiais quanto imateriais”, pois preservam práticas que ajudam a manter viva a memória coletiva das comunidades.
Durante a imersão realizada em Pedro II, o gestor destacou que o contato direto com os profetas da chuva demonstra a necessidade de proteger a ligação com o passado, alertando que “nós não podemos perder a nossa conexão com o nosso passado, com a nossa memória, com a nossa história”, sob o risco de enfraquecer a própria identidade cultural do povo sertanejo.
Ainda conforme Werton Costa, a leitura dos sinais da natureza influencia diretamente a vida cotidiana e a segurança alimentar das comunidades, uma vez que a prática da profecia de chuva integra a organização social e econômica do campo. Ele reforça que esse conhecimento garante que “lá na feirinha, lá no nosso mercado, nós vamos ter o nosso legume, o nosso grão”, resultado do trabalho e da dedicação de quem vive da terra.
A experiência reuniu representantes de Pedro II, Piripiri e Poranga, no Ceará, e contou com apoio do grupo Mandacaru e da Secretaria Municipal de Cultura. A iniciativa reforça o reconhecimento das profecias de chuva como patrimônio cultural imaterial e como ferramenta relevante para o enfrentamento dos desafios climáticos atuais.